08 de julho de 2026
Política

Ato tem protesto e desabafo de Monti

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Além dos costumeiros discursos de comemoração e exaltação a ações administrativas nas inaugurações, a entrega oficial da Unidade de Pronto- Atendimento (UPA) do Ipiranga foi marcada por ‘desabafo’ do secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, que contou com o apoio, com direito a provocações de cunho eleitoral, do irmão Milton Monti (PR), que é deputado federal.

Fernando destacou que, com a entrega da quarta e última UPA, no Geisel/Redentor, prevista para o mês de dezembro, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) encerra um ciclo de ações no setor de urgência e emergência, apresentado em seu primeiro plano de governo.

Ao comentar as dificuldades para a viabilização da unidade do Ipiranga, o secretário afirmou que as mudanças na Saúde estão ‘no meio do caminho’, voltando a criticar ‘quem enxerga a metade vazia do copo’. O ‘chororô’ foi além, ao elencar como é difícil ser um gestor público nesta área. “O que temos que ter de tolerância, de paciência e compreender aqueles que não nos compreendem...”, citou.

Monti reclamou por ser duramente criticado por atrasos nos prazos, contratos que não dão certo e projetos que não vingam. “Como se todos os recursos estivessem à nossa disposição”.

A UPA do Ipiranga começou a ser construída em novembro de 2009 e o plano era entregá-la em um ano. Monti atribuiu, porém, à ‘força do destino’ o fato de a construtora ter abandonado a obra. Depois disso, a prefeitura levou meses para conseguir contratar a segunda colocada no processo licitatório. “Foi necessário muito trabalho para isso. Se tivéssemos levado o caso para o Poder Judiciário, talvez essa unidade demorasse 20 anos para sair”, ressaltou.

Milton reforçou a defesa do irmão, dizendo que Fernando levou muitas bordoadas durante a campanha eleitoral. “Eu via pela televisão. Mas não deu em nada. O povo foi lá e votou no Rodrigo de novo, que ganhou com 82%. Foi um banho, uma lavada”, ironizou.

A promessa do evento ficou por conta da reforma geral do Pronto-Socorro Central (PSC), elencadas como prioridade por Fernando Monti e Rodrigo Agostinho. Ambos cortejaram o ministro Alexandre Padilha acerca da liberação de recursos para a obra. “É a única coisa que falta. Vamos transformá-la para viabilizarmos procedimentos de alto grau de tecnologia”, contou o secretário.

No entanto, o Ministério da Saúde não tem projetos para esse tipo de intervenção. Segundo Rodrigo, Padilha sugeriu que a proposta seja cadastrada como se fosse para atender a uma grande Unidade de Pronto Atendimento. “Quase um UPÃO”, brincou.

O prefeito garante que não demora para viabilizar uma proposta como essa, mas pondera que nada pode ser feito no PSC até que o problema do HB seja solucionado definitivamente. O secretário Fernando Monti gostaria de ver a obra ainda no primeiro semestre de 2013.

 

Cadê a insulina?

Apesar do clima de festa, houve também quem reclamasse na inauguração da UPA do Ipiranga. O autônomo Osvaldo Luís Batista, 50 anos, munido de uma placa, buscou respostas do ministro Alexandre Padilha e do secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, para a falta de insulina nas unidades de Saúde Básica de Bauru.

Ele e o pai são diabéticos e dependem do produto, que, segundo ele, não é encontrado há quatro meses. “Sem ele, a gente morre. Primeiro diziam que a falta era por causa da greve da Anvisa. Ela acabou, a insulina voltou para as farmácias, mas não apareceu de novo no posto”, conta.

Osvaldo retirava o produto mensalmente na unidade de Saúde da Vila Falcão. Agora, precisa comprar na farmácia, desembolsando R$ 80,00 ao mês para si e R$ 240,00 para o pai, que precisa de três frascos. “A gente está se virando. Até diminuindo um pouco a dose diária”. Fernando Monti admitiu a existência do problema, ao qual chamou de pontual. Segundo o secretário, ele teria sido motivado por impasses na importação do produto. O titular da Saúde, porém, garante que a insulina já voltou a ser distribuída nos postos.