08 de julho de 2026
Internacional

China diz que vai atingir meta do PIB

Agências
| Tempo de leitura: 3 min

Pequim - A China anunciou ontem que o país está voltando a retomar o ritmo de crescimento econômico e que, por isso, conseguirá atingir a meta de crescimento do PIB para 2012, que era de 7,5%.

Em evento paralelo ao Congresso do Partido Comunista, que termina na quarta-feira, o chefe da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, Zhang Ping, afirmou que em outubro o país recebeu sinais de recuperação econômica.

“Estamos confiantes que atingiremos a meta do crescimento econômico para este ano. Ou seja, seremos capazes de manter o crescimento em níveis acima de 7,5% ao ano”.

Apesar de considerar que a economia local está melhor, Zhang alertou que o país continua vulnerável aos efeitos da crise financeira na Europa e a fraca recuperação dos Estados Unidos, os dois principais mercados das exportações chinesas.

“Não devemos diminuir nossa vigilância. As bases da estabilização econômica ainda não estão sólidas o suficiente. Devemos nos preparar para lidar com as dificuldades e os desafios da crise global por um longo prazo”.

 

Recuperação

Em 2012, a China manteve as taxas de crescimento mais baixas desde 2009, quando a economia mundial era afetada pela crise financeira nos Estados Unidos. No terceiro trimestre, o país cresceu 7,4%, menor nível em três anos.

No entanto, dados divulgados anteontem pelo Ministério do Comércio mostram que o crescimento no país começa a se acelerar, devido ao aumento dos gastos em infraestrutura e a reativação da indústria.

A produção industrial cresceu 9,6% em outubro em relação ao mesmo período do ano passado, em uma alta de 0,4 ponto percentual em relação ao mês anterior, a maior em cinco meses.

Da mesma forma, houve aumento das vendas do varejo, que passaram de alta de 14,2% há dois meses para 14,5% no ano passado. Devido à desaceleração brusca, o país cortou a taxa de juros duas vezes neste ano, fez grandes injeções de liquidez no mercado financeiro e acelerou projetos de infraestrutura.

Os números são boas notícias para o Partido Comunista, que está realizando seu primeiro congresso em cinco anos para indicar a nova liderança do país. Na quinta-feira, o atual vice-presidente, Xi Jinping, deve ser confirmado como o secretário-geral do PC, o primeiro passo para assumir o governo, em março.

 

Google é bloqueado um dia após início de sucessão de líder máximo

Pequim - O Google anunciou que todos os seus serviços foram retirados do ar na China desde anteontem, um dia depois do início do Congresso do Partido Comunista, que definirá a cúpula governante do país.

Segundo a empresa, foi registrada uma forte redução do tráfego em todos os sites controlados pelo Google, como YouTube, Gmail e Blogger. O incidente foi incluído em sua atualização de problemas.

As causas ainda são desconhecidas para o Google, que se refere à interrupção como um problema técnico. A suspeita da empresa é de um bloqueio ou ataque de hackers. “Nós verificamos e não há nada de errado nos nossos servidores”’, disse a porta-voz do Google, Christine Chen.

Para o site GreatFire, que compila informação sobre a internet chinesa, a paralisação dos produtos do Google foi feita pelo governo. “A maior questão é se vão desbloquear os serviços após o fim do Congresso’’. O grupo diz que nunca tantas pessoas foram afetadas pelo suposto bloqueio, sem dar números.

Censura

Caso seja confirmada a intervenção de Pequim, será mais uma das tentativas do regime comunista de limitar o acesso aos sites à população local, em especial dos dissidentes políticos, durante o Congresso do Partido Comunista, que termina na quarta.

Outras medidas para assegurar o fechamento da decisão do PC chinês foram tomadas, como substituir livros supostamente contrários ao governo em livrarias até a proibição de balões em Pequim para não levar mensagens de protesto.

A velocidade da internet foi reduzida e diminuiu a quantidade de depoimentos contrários ao encontro, mas não os impediram, como as sátiras feitas em algumas redes sociais.

A relação do Google com os chineses é complicada. O site de vídeos YouTube está bloqueado no país desde 2009, enquanto o Gmail foi interrompido parcialmente em diversas ocasiões nos últimos anos, incluindo nos protestos da Primavera Árabe.

Há duas semanas, Pequim decidiu bloquear o jornal americano “New York Times”’ após o diário publicar uma matéria sobre o enriquecimento do premiê Wen Jiabao.