Damasco - Pelo menos 20 soldados morreram ontem na explosão de dois carros-bomba em um clube de oficiais do Exército da Síria em Deraa, no sul do país.
Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, sediado em Londres, os dois carros explodiram com um intervalo de poucos minutos entre uma explosão e outra, próximos a um jardim localizado atrás do clube.
Minutos após os ataques, rebeldes entraram em confronto com tropas do regime de Bashar Assad, de acordo com a entidade, que também informou sobre uma terceira explosão em um local militar da cidade, sem vítimas ou danos.
A ação foi informada também pela agência de notícias oficial Sana como um ataque em duas localidades diferentes. A agência não mencionou informações sobre o número de vítimas ou o alvo das explosões.
Deraa é a cidade onde se iniciaram os protestos dos opositores contra o regime do ditador Bashar Assad, em março do ano passado. Desde então, as manifestações, antes pacíficas, se transformaram em um conflito armado que deixou pelo menos 30 mil mortos, segundo a ONU.
Radicais
Com o aumento da duração do conflito entre as forças de Assad e os rebeldes, diversos grupos extremistas inspirados na rede terrorista Al Qaeda começaram a atuar no país, aumentando o número de atentados contra civis e as forças do governo.
Na segunda-feira, a chamada Frente Al Nusra reivindicou a responsabilidade pela explosão de um carro-bomba em Hama, que deixou mais de 50 soldados mortos.
O grupo foi o mesmo que não aceitou o cessar-fogo sugerido pelo enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU), Lakhdar Brahimi, em meio à festa de Eid al Adha, há duas semanas.
No primeiro dia dos festejos, a entidade reivindicou um atentado que deixou 20 mortos na periferia da capital Damasco, uma das primeiras ações do fim da trégua.
Oposição tem novo líder
Damasco - O maior grupo entre os que fazem oposição ao governo da Síria elegeu anteontem George Sabra como novo líder. Ele é cristão e ex-comunista. Sabra disse que sua eleição mostra que o Conselho Nacional Sírio (CNS) não é sectário (intolerante). Sabra apelou à comunidade internacional para que forneça mais armas para a organização.
O CNS é acusado por seus aliados de ser ineficaz no combate ao regime do presidente Bashar al-Assad. O órgão iria se reunir com as demais forças de oposição ontem, no Catar, para tentar formar um governo paralelo.
A Síria vive um clima de guerra há 20 meses, desde que as forças da oposição e do governo passaram a se enfrentar. A oposição exige o fim da gestão de Assad no poder e das violações aos direitos humanos, além de transição política e mais liberdade.
Assad nega irregularidades e violações aos direitos humanos no governo. Segundo ele, a oposição tem características de terrorismo. O presidente disse também que não sairá do país nem aceita intervenção externa.