08 de julho de 2026
Geral

A caminho da prevenção

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

A floresta Amazônica como cenário, um calor insuportável e o risco das doenças tropicais são alguns dos desafios enfrentados pela missão FOB-USP em Rondônia para mudar a realidade da saúde dos moradores do município de Monte Negro. Em 10 anos de projeto, o pessoal de odontologia atendeu 13.383 pacientes e a galera da fono 7.012, em um total de 65.172 procedimentos, segundo o balanço até a última expedição em julho deste ano.

O projeto de extensão promove a saúde preventiva para uma população que não teria o contato com um consultório odontológico ou com um profissional de fonoaudiologia. Os estudantes de graduação atendem debaixo de árvores, na cozinha de residências, em varandas, escolas, igrejas e aonde for possível montar o consultório móvel.

O pessoal do projeto FOB-USP em Rondônia decidiu comemorar os 10 anos. No dia 30 deste mês, o lançamento do livro “Odontologia e Fonoaudiologia - Dez anos de Práticas Clínicas e Políticas Públicas em Projeto de Extensão: FOB-USP em Rondônia” será combinado com palestras, seminário, uma exposição descritiva e interativa sobre o projeto.

A coordenadora do projeto Magali de Lourdes Caldana ressalta que, mesmo após uma década de intervenção, o trabalho ainda tem um caráter assistencial. O foco é a prevenção e educação em saúde. Paralelamente, a FOB-USP dá cursos de capacitação para profissionais de saúde de Monte Negro. A experiência de trabalhar no projeto de extensão em Rondônia também  modifica a vida de ex-alunos da FOB-USP. Ana Karolina Zampronio Bassi, docente do curso de fonoaudiologia da Faculdades São Lucas, em Porto Velho, e Ricardo Pianta, pró-reitor de extensão na mesma instituição de ensino, se mudaram para Rondônia e continuam a colaborar com o projeto. Magali também cita que o secretário de Saúde de Ariquemes, município vizinho a Monte Negro, é aluno do doutorado da Saúde Coletiva da FOB-USP.

Expedição

No dia de 18 de janeiro do ano que vem parte mais um grupo rumo a Rondônia. A expedição mobiliza cerca de 45 pessoas que permanecem duas semanas em Monte Negro. São 25 alunos da graduação, cinco de pós, docentes, protético, cozinheiro, motorista, eletricista e um técnico em esterilização. Essa turma toda carrega 1,5 tonelada de material. Muitas viagens são feitas em um avião Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB). Às vezes, a turma se aventura no ônibus da universidade numa viagem de até 50 horas de Bauru a Monte Negro. Esse pessoal todo fica no alojamento da Unidade de Pesquisa Avançada da USP conhecida como ICB 5 implantada há 15 anos em Monte Negro.

Em janeiro, Magali comenta que irá na bagagem 150 aparelhos auditivos doados pela empresa GMN Resound. A cada expedição são produzidas 40 próteses dentárias e 1.000 pacientes são atendidos na odonto e fono.

O projeto FOB-USP em Rondônia é coordenado por Magali e pelo professor José Roberto de Magalhães Bastos.


Guerra contra malária

Há 15 anos, a Universidade de São Paulo (USP) intervém na saúde em Monte Negro, Rondônia. O médico e professor Luis Marcelo Aranha Camargo pesquisa a malária e escolheu Monte Negro pela maior incidência da doença. Surgiu a Unidade de Pesquisa Avançada da USP o ICB 5.

Magali de Lourdes Caldana lembra que em agosto de 2000 começou o projeto FOB-USP em Rondônia. Aranha é coordenador do curso de medicina da Faculdade São Lucas, em Porto Velho, garantindo equipe de profissionais da saúde para a residência médica em Monte Negro.

 

Magali acrescenta que o projeto FOB-USP em Rondônia tem sustentabilidade com a USP reservando recursos específicos para aquisição de equipamentos permanentes e de consumo nos atendimentos e recursos para as viagens.

A estrutura do FOB-USP em Rondônia conta com uma clínica equipada. São quatro consultórios odontológicos, sala de raio X, laboratório de prótese e ambiente para esterilização dos equipamentos. A fonoaudiologia tem à disposição todos os equipamentos.


Monte Negro

O município de Monte Negro fica distante cerca de 300 quilômetros da capital Porto Velho, em Rondônia.

A coordenadora do projeto FOB-USP em Rondônia Magali de Lourdes Caldana explica que o município concentra aproximadamente 5 mil habitantes na zona urbana e 12 mil na área rural. Segundo a coordenadora, grande parte dos moradores da zona rural tem dificuldade de acesso à zona urbana. Diante dessa limitação, o projeto vai às propriedades encravadas na floresta Amazônica. Há lugares em que a rede de energia elétrica não chegou e as casas dependem de gerador para usufruir de eletricidade.

Magali ressalta que a fossa ainda é uma constante na área urbana de Monte Negro. Ela cita ainda que várias ruas do município são asfaltadas, porém não possuem tubulação de esgoto e de captação de águas pluviais.