Teerã - O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, vinculada à ONU), Yukiya Amano, acusou ontem o Irã de limpar o terreno da usina de Parchin para acabar com vestígios de atividades nucleares antes da visita dos inspetores da agência, no mês que vem.
Segundo Amano, ele tem informações de que a República Islâmica está fazendo a limpeza, mas não deu detalhes sobre a acusação. A agência suspeita que a base seja usada para testes de explosões de armas atômicas, o que Teerã nega.
Na sexta-feira, a AIEA informou que as negociações com Teerã sobre o programa nuclear serão retomadas em dezembro. As atividades despertam desconfiança e são o principal motivo das sanções de países ocidentais ao Irã.
As últimas consultas formais entre os dois lados foram em 24 de agosto. O órgão das Nações Unidas quer autorização de Teerã para entrar em todas as instalações nucleares do país, em especial na usina de Parchin.
Teerã diz que as atividades nucleares têm fins pacíficos, como a geração de energia e o uso em tratamentos médicos, mas os países ocidentais suspeitam de que o Irã queira produzir uma bomba nuclear.
Ontem, o presidente da Comissão de Política Exterior e Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Alaaedin Boruyerdi, disse que Teerã não negociará com os Estados Unidos se Washington não mudar a política em relação ao Irã.
O parlamentar disse que a decisão sobre estabelecer relações com os americanos é do líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, mas lembrou que o presidente Barack Obama mostrou disposição a conversar com autoridades do país persa.
Ação militar
A suspeita ocidental é compartilhada por Israel, que ameaça Teerã com uma ação militar. Na sexta passada, o ministro da Defesa do Estado hebraico, Ehud Barak, disse que a República Islâmica diminuiu o ritmo de enriquecimento de urânio.
“Eles essencialmente atrasaram sua chegada à linha vermelha por oito meses”, disse Barak, acrescentando que não está claro o porquê da mudança de cronograma do Irã.
O ministro afirmou que o Irã conseguiu converter parte do material radioativo transformado para fins médicos para a produção de armas, mas que não foi o suficiente para produzir uma bomba atômica.
Em setembro, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse que Teerã chegaria à possibilidade de ter uma bomba atômica em oito meses, o que o premiê chamou de “linha vermelha”.