09 de julho de 2026
Nacional

Campanha alerta sobre os problemas que afetam coração

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Brasília - No Brasil, a cada dois minutos uma pessoa é vítima de morte súbita. O cálculo é da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac), que promoveu ontem a Campanha Coração na Batida Certa, em todas as capitais brasileiras.

Além de demonstração do uso correto dos desfibriladores externos automáticos, médicos e outros profissionais de saúde orientam as pessoas sobre como prevenir arritmias cardíacas.

Eles estiveram em parques, centros de compras e praias. As atividades fizeram parte do Dia Nacional de Prevenção das Arritmias Cardíacas e Morte Súbita.

Segundo o presidente da Sobrac, Adalberto Lorga Filho, mais do que chamar a atenção para a doença e as suas consequências, a campanha quer conscientizar a população sobre a importância de boas práticas de saúde, como a atividade física regular e a consulta periódica a um profissional especializado. As recomendações incluem controle de peso, da pressão arterial e do diabetes, além de alimentação com pouco sal.

Doença silenciosa com incidência maior no sexo masculino, a arritmia cardíaca é responsável por 80% a 90% dos casos de morte súbita. A prevalência maior se dá na faixa etária entre 45 e 75 anos. A doença também acomete pessoas na faixa etária mais produtiva da vida e de muitos atletas, geralmente jovens e saudáveis.

Segundo o cardiologista e arritmologista José Sobral Neto, a falta de informação atrapalha muito a prevenção. Quando o problema aparece em pessoas até 35 anos de idade, normalmente, a origem é genética.

“As pessoas nessa faixa etária, que têm casos na família, devem ficar atentas e fazer exames preventivos uma vez por ano”, explica. O médico diz ainda que muitas vezes os pacientes subestimam alguns sintomas, como tonturas, desmaios e dores e não procuram o médico para investigar melhor o que aconteceu. “Isso é um erro”, alerta.

Entre os cardiologistas, um exemplo clássico de que uma arritmia pode levar à morte súbita é o caso do jogador Sérginho, do São Caetano, que morreu durante uma partida de futebol em 2004.

Mais recentemente, a jogadora da Seleção Brasileira de Vôlei Feminino Dani Lins foi diagnosticada com arritmia cardíaca, causada por uma virose. A atleta teve o problema superado e voltou à treinar normalmente. No entanto, em alguns casos mais severos e, caso seja um atleta de alto desempenho, pode ser necessária a interrupção da prática esportiva.

Durante o Heart Rhythm Society (HRS) 2012, congresso internacional sobre arritmias cardíacas, foi apresentado um estudo sobre a segurança da prática esportiva para atletas que implantaram um desfibrilador.

O equipamento converte todos os episódios de taquicardia por meio de um choque direcionado ao coração. Dos 372 pacientes acompanhados, apenas sete apresentaram parada cardiorrespiratória. Todos resolveram o problema que foi revertido com sucesso pelos choques do equipamento.

“Este registro abre novos horizontes para a melhor compreensão da história natural das doenças desses pacientes, bem como novas perspectivas no tratamento de atletas, não só prolongando a sobrevida, mas também preservando a qualidade de vida”, avalia do Bruno Valdigem, especialista em eletrofisiologia clínica e invasiva pela Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas.

 

Caminhada reúne 300 pessoas no Parque Ibirapuera

São Paulo – Cerca de 300 pessoas participaram ontem no Parque Ibirapuera da segunda edição da Caminhada dos Transplantados. O evento, que conta com pacientes já recuperados de transplantes, busca conscientizar a população da importância da doação de órgãos.  

“Em 2003 fiz transplante de coração com 57 anos. Hoje estou com 66 e me sinto muito melhor do que quando tinha quarenta e poucos. Agora posso andar, subir escada, posso correr. Antes eu sentia falta de ar até para ficar de pé. Mas ainda existem muitos companheiros morrendo por falta de órgão, e muita gente”, destacou Antonio Ferrari, que participou da caminhada.

De acordo com o Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Incor), a mortalidade na fila de espera no Brasil pode ultrapassar 50% dos pacientes no caso do coração e 30%, no caso do pulmão, devido principalmente à demora na doação do órgão.

“Poucas intervenções na medicina são tão reabilitantes como o transplante na vida dessas pessoas. Por outro lado, grande número de pacientes não consegue chegar ao transplante. A questão da doação de órgãos é fundamental. A gente tem sempre que levar isso em discussão, fazer com que as famílias discutam o transplante em casa, esse é um ponto fundamental”, destacou o médico do Incor, Fernando Bacal.

O evento foi promovido pelo Incor e pela Associação Brasileira dos Transplantados de Coração e Portadores de Insuficiência Congestiva (ABTC).