08 de julho de 2026
Geral

Dengue: ranking põe Bauru em alerta

Marcele Tonelli colaborou Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 6 min

Um mapeamento feito pelo Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de São Paulo colocou Bauru em posição de “destaque negativo” no ranking estadual que indica a vulnerabilidade dos municípios para a transmissão da dengue. Bauru ficou em terceiro lugar entre as cidades com maior incidência de infestação do mosquito Aedes aegypti.

Segundo a secretaria, foram considerados no levantamento os municípios com mais de 60 mil habitantes que apresentaram índice de infestação predial (IIP) acima de 1%. No caso de Bauru, o resultado divulgado pela secretaria estadual foi de 2%, ficando atrás somente do Guarujá (2,9%) e de Araçatuba (2,3%).

A Secretaria Municipal de Saúde divulgou o IIP de Bauru em 1,9%, mas apesar da pequena diferença em relação ao informado pelo Estado, a posição no ranking permanece a mesma, já que depois de Bauru vem a cidade de Tupã, com 1,8%.

Os dados foram apresentados ontem durante encontro, na Capital paulista, com os secretários de Saúde de 13 municípios com indicação de alerta para a transmissão da dengue. O IIP significa a quantidade de imóveis a cada 100 visitados que tinham larvas do Aedes.

Em nota oficial enviada ao JC, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru ponderou que mesmo entre os municípios participantes do encontro de ontem que tiveram índices menores, o número de casos da doença seria maior.

Ainda por meio da nota, o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, destacou que o Departamento de Saúde Coletiva “vem mantendo um trabalho intendo e sistemático realizado pelas equipes que atuam diretamente no combate à doença, as quais permanecem com rotina diária de visitas aos imóveis para orientações, vistoria, retirada de recipientes com larvas e aplicação de inseticida”.

O levantamento dos municípios levou em consideração vistorias realizadas por agentes das próprias prefeituras. Em Bauru, a assessoria de imprensa afirma que foram fiscalizados 5.924 imóveis nos 127 bairros da cidade. Ao todo, 143 residências tinham recipientes com larvas do Aedes aegypti.

Os dados mostram ainda a identificação de 198 recipientes com larvas do mosquito transmissor da dengue e 38.746 recipientes com pré-disposição para a presença de larvas. Entre as áreas com maior número de criadouros de larvas encontrados estão bairros da região sudeste e noroeste, que juntos totalizaram 65 recipientes contaminados.


Campeões

Entre as áreas com mais infestação de larvas do mosquito estão bairros da zona sudeste como Vila Cardia, Jardim Cruzeiro do Sul, Jardim Marambá, Jardim Guadalajara, Redentor, Jardim Carolina, Núcleo Geisel, Vila Engler, Parque das Camélias, Jardim Contorno, Residencial Odete, Jardim Niceia, Jardim Colonial, Jardim Santos Dumont e Vila Aviação B, onde 730 imóveis foram pesquisados e 36 recipientes tinham larvas do mosquito.

Já na região noroeste, entre os que apresentaram maior incidência de recipientes contaminados estão o Fortunato Rocha Lima, Parque Jaraguá, Santa Edwirges, Vila Dutra, Núcleo Edson Francisco, Vila Falcão, Vila Pacífico, Jardim Prudência, Vila Industrial, Parque Val de Palmas, Parque Real e Chácara Cornélia, onde 914 residências foram vistoriadas por agentes que encontraram 29 recipientes infectados. As informações são do chefe da sessão de Meio Ambiente do Centro de Controle de Zoonoses de Bauru, Mário Ramos.


Depósitos

Segundo o levantamento feito pelo Estado, dentre os depósitos mais comuns para larvas do Aedes aegypti destacam-se os recipientes móveis (45,5% do total), como vasos ou frascos com água, pratos, garrafas, pingadeiras, recipientes de degelo em geladeiras, bebedouros em geral, pequenas fontes ornamentais e materiais em depósito de construção (como peças sanitárias estocadas).

Os depósitos fixos, como tanques em obras, borracharias, calhas, lajes, ralos, sanitários em desuso, piscinas não tratadas, floreiras, vasos em cemitério, cacos de vidro em muros e outras obras arquitetônicas, como caixas de inspeção, responderam por 22% dos depósitos com foco do Aedes aegypti.

Outros 14,6% dos depósitos com foco do mosquito são referentes a lixo, como os recipientes plásticos, garrafas e latas, sucatas em pátios e ferros velhos e entulhos de construção.

“Os criadouros são o que mais nos preocupam. Afinal, os recipientes com mais densidade larvária encontrados em Bauru foram as latas, frascos, plásticos e vaso de plantas, que possuem condição de serem retirados facilmente. Isso demonstra que a população não está fazendo sua parte”, pontua Mário Ramos.

 

‘Não tão preocupante’, avalia chefe de departamento do CCZ

Responsável pelo levantamento na cidade, o chefe da sessão de Meio Ambiente do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Mário Ramos, avalia, que apesar de alto, o índice e a colocação de Bauru frente os outros municípios não coloca Bauru em alerta.

“Não é tão preocupante. Mas, por se tratar de um município de médio porte, a cidade é indicada para a participação de qualquer planejamento de combate à dengue que aconteça no Estado de São Paulo”, aponta Ramos.

Até o momento, foram registrados 28 casos de dengue neste ano, sendo 22 autóctones e seis importados. Segundo a Divisão Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, os casos apresentam-se polarizados por todas as regiões da cidade, mas os bairros com maior concentração são o Centro e Vila Pacífico, com dois casos em cada um deles (veja quadro ao lado). Já em 2011 foram registrados 4.360 casos autóctones de dengue, seis importados e deis óbitos.

Sobre as possibilidades de transmissão do vírus, entretanto, o médico infectologista Marcos Boulos, coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Saúde do Estado, lembra que no início de 2011 o sorotipo 4 da dengue chegou a São Paulo e, agora, circula em todas as regiões, tornando praticamente toda a população suscetível a contrair dengue.

“Ao serem infectadas com o tipo 4 do vírus da dengue, pessoas que já contraíram anteriormente um dos outros três sorotipos existentes podem apresentar formas graves da doença, como a febre hemorrágica”, pontua.


Morador denuncia criadouro na zona sul

“Denunciei há mais de uma semana e até agora ninguém fez nada”, reclama um aposentado de 70 anos - que pediu para não ter sua identidade revelada por motivos de segurança.

Morador do Jardim Estoril em Bauru, ele relata que fez ligações no dia 7 de novembro para o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) para denunciar a situação que presenciou há alguns dias em uma casa que passa por reformas na quadra 2 da rua Luiz Braga. Segundo ele, uma piscina com o fundo repleto de lodo e com um pouco de água tem acumulado larvas do mosquito da dengue.

“Já está avisado. Agora, falta vontade por parte da fiscalização. O bairro tem muitas crianças e não dá para ficar esperando ser picado para agir, afinal, é uma piscina e não um vasinho”, completa o morador. O CCZ foi questionado e informou que realizaria a verificação do caso.

“Temos muitas denúncias todos os dias. Geralmente avaliamos o local na mesma semana e emitimos um auto de infração, que dá 15 dias para que o responsável resolva o problema. Caso contrário, aplicamos multa e até realizamos intervenção, dependendo do caso”, explica o chefe da sessão de Meio Ambiente do CCZ, Mário Ramos, informando que a multa varia de R$ 500,00 a R$ 4 mil.