Lisboa - Mais de 100 pessoas foram presas e dezenas ficaram feridas durante protestos de trabalhadores em países do sul da Europa ontem. O ato, convocado em todo o continente, tem maior intensidade em Espanha, Portugal, Itália e Grécia, países mais afetados pela crise.
Mais de 25 milhões de pessoas estão desempregadas nos países da União Europeia. A taxa de pessoas sem trabalho é de 10,6% em toda a zona do euro, com 23,3% dos jovens desempregados.
Portugal
Centenas de policiais e manifestantes se enfrentaram na frente do prédio do Parlamento português, onde terminou a principal manifestação da greve geral organizada ontem.
Durante o dia não haviam sido registrados incidentes de importância, mas, depois do comício sindical que fechou a greve em Lisboa, várias dezenas de manifestantes lançaram pedras e garrafas durante mais de duas horas contra o cordão policial que protegia a Assembleia Legislativa.
A polícia revidou com golpes de cassetete e com cachorros e então se produziram cenas de pânico e violência nos arredores do Parlamento.
Itália
Na Itália, uma greve geral de quatro horas foi convocada contra as reformas trabalhistas instituídas por Mario Monti, que flexibilizam regras de contratação e demissão. Estudantes também compareceram às ruas.
Espanha
Na Espanha, onde também houve greve geral, o primeiro-ministro Mariano Rajoy afirmou que o governo espera uma contração de 0,5% na economia do país em 2013, com aumento do desemprego, embora “muito inferior ao de 2012” -- já chega a 25% a força de trabalho sem emprego no país. Na país, 82 pessoas foram presas e outras 34 ficaram feridas em Madri. Dentre eles, 18 membros da polícia atingidos por pedras e pedaços de madeira jogados pelos manifestantes. A polícia reprimiu os atos com bombas de gás lacrimogêneo, cassetetes e jatos de água.
Alemanha
Na Alemanha, uma federação de sindicatos convocou manifestações em solidariedade a trabalhadores de outros países. A chanceler Angela Merkel afirmou que respeita o “direito legítimo à greve”, mas que os atos não tiram a obrigação que os governos têm de “fazer o que for possível” para diminuir os impactos da crise na zona do euro, o que implicaria em aplicar “duras medidas e cortes nos gastos públicos”.