Na manhã de ontem, a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), prendeu um homem de 22 anos acusado de dois assaltos a pedestres em Bauru. Em ambos os casos, o homem usou de violência contra as vítimas, chegando, inclusive, a tentar disparar um tiro contra uma delas. As suspeitas são de que ele, que já cumpriu pena por tráfico, cometia os roubos para quitar uma dívida com drogas. Ele, porém, nega os crimes.
Fernando César Jorge Dorsa trabalhava como pedreiro em uma obra no Parque São João há três meses. Mas, de acordo com o titular da DIG, Kleber Granja, o homem tinha outro “emprego”.
O acusado havia saído do Centro de Ressocialização de Jaú em 22 de junho, onde cumpria condenação por tráfico de entorpecentes. O primeiro crime que a polícia atribui a ele ocorreu poucos dias depois.
No dia 6 de julho, uma auxiliar administrativa de 41 anos foi abordada na rua Moacyr Zelindo Passoni, no Parque São João. “Ele a ameaçou e chegou a desferir um forte golpe contra a cabeça da vítima. Estava com um revólver, que, depois, descobrimos ser um simulacro de arma de fogo”, conta Granja.
O ladrão fugiu levando a bolsa da vítima e R$ 750,00. O simulacro utilizado na ação foi abandonado no local e apreendido. “A mulher passou a descrição do ladrão e, por meio das suas características biométricas, suspeitamos de Fernando Dorsa. Ela viu a foto e confirmou”, explica o delegado.
A vítima contou que a ousadia de Fernando era tamanha que, após o roubo, ele ainda a encontrava na rua e zombava da situação. “Ele ameaçava e dizia coisas do tipo ‘olha lá o que você vai falar, heim’”.
Chegou a atirar
Se o primeiro roubo foi realizado com uma arma falsa, o segundo não. Na ocasião, o bandido assaltou um pintor de automóveis de 65 anos no Parque Vista Alegre e chegou a atirar na vítima. Por sorte, a arma não disparou.
O assaltou ocorreu por volta das 19h15, quando o pintor andava pela quadra 3 da rua Jacob Corso. Após ser abordada, a vítima reagiu e tentou desarmar o ladrão. Na luta, ele chegou a apertar o gatilho, porém, a arma falhou. Mesmo assim, conseguiu fugir com R$ 4 mil do pintor de automóveis.
“Essa vítima também reconheceu o Fernando Dorsa como sendo o autor. Além disso, as características físicas do homem e a vestimenta eram iguais nos dois casos”, explica o delegado Kleber Granja.
Apesar do reconhecimento formal, o homem negou o crime. Ele usa de álibi exatamente seu trabalho. “Mas os crimes ocorreram depois do expediente”, rebate o delegado.
Ontem, foi expedida a prisão temporária por cinco dias e prorrogável por mais cinco. “Depois, pediremos a preventiva”, destaca o titular da DIG, complementando ainda que Fernando Dorsa pode ser responsável por outros roubos em Bauru.
Fotografia
O delegado Kleber Granja conta ainda outro fato curioso. Enquanto a polícia levava Fernando Dorsa até a DIG, a irmã dele teria procurado a primeira vítima com a fotografia do acusado. “Ela foi perguntar para a mulher se era aquele homem mesmo que cometeu o crime”.
O problema, de acordo com o delegado, é que ninguém comunicou a irmã quem seria a vítima. “Como ela sabia disso? Já é outro indício de que ele mesmo seja o autor do crime”, complementa.