Não há como negar. A maioria do grande público que lotou a Panela de Pressão ontem à tarde queria ver Osasco e suas estrelas do Sollys/Nestlé. A equipe campeã mundial de vôlei feminino, invicta desde janeiro, porém, se não jogou uma ducha de água fria nos fãs, deixou no ar uma pontinha de decepção.
Na expectativa de ver todo o elenco estelar, formado pelas musas Thaísa, Jaqueline, Sheilla, Fernanda Garai e Camila Brait (conforme adiantado pelo JC nem todo o plantel viria), o público se contentou com a vinda apenas da bela e talentosa líbero, cortada da Seleção Brasileira às vésperas das últimas Olimpíadas pelo técnico José Roberto Guimarães.
E Camila Brait, mesmo contra um adversário tecnicamente inferior, o São Caetano, e ao lado de atletas bem menos experientes, mostrou a que veio. Com a mesma eficiência que a faz de uma das melhores da posição no País, ela defendeu uma bola difícil, quase no chão, logo no início e, de cara, impressionou o público.
Os 3 sets a 0 no marcador (parciais de 26/24, 25/15 e 25/10) mostraram a superioridade de Osasco, com meio time de juvenis do Sollys e outra metade da equipe do Bradesco, recentemente campeã da Primeira Divisão, justamente, contra Bauru.
Do outro lado, as meninas do ABC, que vão disputar a Superliga, não venderam barato nenhum set. Principalmente na primeira parcial, disputada ponto a ponto, São Caetano fez jus à condição de figurar na principal competição do vôlei nacional.
Composto pelas bauruenses Ana Paula e Aline “Ibaté”, o time de São Caetano mostrou aplicação e muita força no bloqueio, mas sucumbiu ao poderio de Osasco, que, mesmo muito desfalcado, se mostrava melhor, principalmente, nos pontos finais de cada set. “Acho que pecamos na defesa”, analisa a bauruense Ana.
Musa entre nós
Apesar de toda a experiência em mundiais e importantes decisões nacionais, a musa Camila Brait disse, após o jogo, que os Jogos Abertos, apesar de não ter mais todo o peso das atuais competições da modalidade, não deixa de ser interessante. “É bacana poder passar a nossa experiência para jogadoras mais jovens”, considera.
Mesmo porque, salienta a líbero, a competição e ela são velhos conhecidos. “Jogo os Abertos desde menina. Além disso, sou a famosa ‘fominha’, quero jogar tudo”, afirma a atleta, atenciosa aos diversos pedidos de fotos do público após o jogo. Única estrela em jogo, foi a última a deixar a quadra da Panela de Pressão. “Jogo é jogo e tem de ser encarado com seriedade”, ensina.
Cadê a Thaísa?
Apesar do bom jogo protagonizado por Osasco e São Caetano, teve gente que saiu muito frustrada da Panela de Pressão por não ver a maioria das estrelas da equipe campeã mundial e invicta há dez meses.
É o caso do dentista Luiz Carlos Bagatelli. Ele acordou ontem às 4 da matina, tirou o carro da garagem da casa onde mora em Wenceslau Braz, no Paraná, e veio até Bauru para ver a musa Thaísa.
O plantel do Osasco entra em quadra, mas...cadê a Thaísa? “Ela é a melhor central do mundo, estou frustrado”, admite o fã da musa, que não veio.
Apesar de tentar se consolar falando sobre o nível da partida, ele logo entrega a sensação de ter perdido o sono e, principalmente, a longa viagem, em ritmo de bate-volta no mesmo dia. “Acho também falta de consideração com o público do Interior. O ginásio está lotado assim pela expectativa do público em ver as principais jogadoras”, argumenta.
Luizomar de Moura, técnico de Osasco, justifica a ausência das estrelas pela necessidade de poupar o time para as próximas competições, entre elas a Superliga, além de dar ritmo de jogo a atletas promissoras. Mas, vai convencer o fã que viajou horas para ver o time principal? “Aposto que no próximo jogo não vai ter metade do público que veio hoje (ontem)”, protesta Bagatelli.
“Essa atual geração do vôlei tem pouquíssimos jogos da seleção feminina no Brasil. A maioria dos torneios ocorre em outros países, principalmente na Ásia. E quando há a chance de ver um time de ponta no Interior eles não trazem a maioria das jogadoras”, segue na bronca o torcedor.
O JC propiciaria para que o próprio torcedor conhecesse o treinador e o indagasse sobre a escalação. No entanto, o fã não foi mais visto, ao menos no local onde estava sentado nas arquibancadas, durante o último set do jogo.
Prata da casa
Com início aos 10 anos na Luso, ela se transferiu aos 14 para o ABC, onde está até hoje. Com passagem pela Seleção Paulista e convocação para a Seleção Brasileira juvenil, Ana Paula não escondeu a felicidade em voltar, pela primeira vez, à cidade de origem na condição de atleta. “É a primeira vez que jogo aqui desde que saí. É muito legal”, empolga-se.