09 de julho de 2026
Jogos Abertos 2012

Ginástica Artística: O ?rei? não está só

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 4 min

João Rosan

 

Quanto à competitividade, não teve nem graça. Composta por quatro atletas que integram a Seleção Brasileira de ginástica artística masculina, entre eles Arthur Zanetti, medalha de ouro nas argolas durante as Olimpíadas de Londres, a equipe de São Caetano do Sul sobrou ontem à tarde, nas provas disputadas no ginásio Guilherme Dal Coletto.

Nos Jogos Abertos do Interior, ao contrário de ginastas asiáticos, norte-americanos ou do leste europeu, Zanetti e cia. competiram contra atletas de nível técnico bastante inferior e cravaram ouro, prata e bronze em quase todas as provas disputadas. A exceção veio na barra-fixa, onde Tomas Vitachi Soares Siqueira, de São José dos Campos, foi bronze e impediu o 100% do time do ABC.

Grande estrela da tarde, Zanetti era aguardado pelo público que lotou o ginásio, na Vila Industrial, em todas as provas. Contudo, obviamente, os fãs esperavam pela subida do campeão na argola, afinal de contas, este foi o módulo de disputa que o consagrou nas Olimpíadas.

Ducha de água fria. Arthur Zanetti não competiu justamente na prova que é de sua especialidade. Focado na última etapa do circuito mundial da modalidade, a ser disputada no final do mês na República Tcheca, ele preferiu se poupar já que é acompanhado de perto, na disputa pela liderança do ranking, pelo grego Eleftherios Petrounias.

Após a competição – o atleta e comissão técnica não quebraram o protocolo, seja para falar com a imprensa ou atenção com fãs antes do término oficial das disputas – o ginasta que, de início, pediu para que o treinador fosse indagado sobre sua ausência na argola, admitiu se poupar fisicamente para o Mundial.

“Meu técnico pode falar melhor sobre isso, mas queremos terminar o ano em primeiro lugar no ranking da Copa do Mundo”, prioriza. “O importante é ganhar a competição, cumprir o nosso dever com a cidade”, resumiu Marcos Goto.

Lições para o futuro

Talvez os Jogos Abertos sejam a única ocasião em que adversários de tão diferentes níveis técnicos, e idades, se misturem numa mesma competição. Ontem, nas disputas de ginástica artística, os garotos de Pindamonhangaba, alguns com apenas 10 anos, figuravam na mesma disputa de um campeão olímpico, de 22 anos.  Um destes pequenos, mas valentes, atletas, Guilherme Maia, não escondia a expectativa de, pela primeira vez na vida, figurar ao lado de atletas da Seleção Brasileira. “É legal, mas dá um nervosismo maior”, admite o garoto, de poucas palavras, mas muitos objetivos. Em quem ele se espelha para o futuro? “Diego Hypolito”.

Estrutura ‘para o gasto’

Apesar da receptividade dos fãs, nem sempre correspondida, a delegação de São Caetano fez duras críticas à estrutura montada para as provas de ginástica artística no ginásio Guilherme Dal Coletto.

O campeão olímpico “pegou leve”: “Dá para fazer algumas séries nos aparelhos, mas a gente prefere simplificar um pouco, pois não são aparelhos oficiais de competições mundiais. É perigoso a gente se arriscar um pouquinho a mais e se machucar. É melhor fazer uma série um pouco mais básica e, pelo menos, poder competir”, avalia.

Já o treinador Marcos Goto, que trabalha com Zanetti desde a infância do campeão, não aliviou. Ao justificar a ausência de Zanetti nas argolas, ele enumerou dois motivos. “Poupar para o mundial e o aparelho é muito ruim”, reprova.

“Quase todos os aparelhos da competição não são adequados para a prática no nível destes atletas. Ninguém joga futebol com bola quadrada ou murcha”.

Com ampla vivência em Jogos Abertos, ele coloca a estrutura montada em Bauru abaixo até mesmo de outros municípios que já sediaram a mesma competição. “Sinceramente, ficou devendo. Já competimos Abertos com aparelhagem bem melhor”, compara.

Devedor x devedor

Se a estrutura, na visão da equipe do ABC, “ficou devendo”, o time, ao menos quanto às expectativas do público, em ver o principal atleta disputar a prova que o consagrou, idem.

“A gente esperava que ele (Zanetti) se apresentasse na argola. Ele fez um solo muito bom, mas todo mundo veio para assistir o que fez na Olimpíada”, lamenta Márcia Rebelato, ex-praticante amadora da modalidade.

Família presente

Nas calorentas arquibancadas da Vila Industrial, pai, mãe e namorada do medalhista olímpico torciam para a equipe de São Caetano do Sul com o mesmo entusiasmo de importantes competições nacionais ou internacionais.

“É importante disputar os Abertos e que os atletas fiquem nos clubes para incentivar os atletas do futuro, saber que é possível chegar nos degraus mais altos”, considera Archimedes Zanetti, pai do medalhista, que aprovou a sede atual dos Abertos. “A cidade é bem quente, típico do Interior de São Paulo, mas é muito boa”, elogia.