A primeira fase do vestibular da Unesp, em Bauru, realizada na tarde de ontem teve 6.353 candidatos inscritos, sendo que 583 (9,2%) se abstiveram, acima da média geral, que foi de 8,7%. Alguns casos foram pela falta de documento de identidade original com foto, item exigido no edital. Mas a negligência com o horário limite de entrada (os portões são trancados uma hora antes) voltou a “fechar as portas” para a oportunidade de ingressar na universidade neste ano.
De acordo com a assessoria de imprensa da Fundação Vunesp, organizadora do vestibular, ao todo são aproximadamente 95 mil inscritos neste ano, o maior número da história. No Estado, 31 cidades possuem locais de prova e delas apenas sete não possuem xampus. Algumas capitais também tiveram candidatos concorrendo a uma das 7.014 vagas distribuídas em 165 cursos, como Brasília (995), Campo Grande (442), Belo Horizonte (523) e Curitiba (334). A maior concorrência é por medicina, disponível no campus Botucatu: São 185,3 candidatos/vaga.
O estudante Basílio Giovanni Christianini Santana, 17 anos e portador de deficiência visual, se preparou para o curso de Sistemas de Informação, oferecido apenas pelo campus de Bauru. “É grande a expectativa, me preparei para esse momento, é o que eu gosto e quero”, garante. Portador da síndrome de Devic, Giovanni ficou cego aos 9 anos e não desistiu dos sonhos. “De um dia para o outro, fiquei sem ver nada e por causa da doença tive muitos surtos e nada disso me impediu de estudar, não perdi nenhum ano da escola, sempre em escolas normais, fiz Etec e agora quero Unesp”, conclui.
Giovanni fez prova acompanhado pela ledora Adriana Silveira, profissional que lê a prova para o candidato. “A estrutura que estou encontrando desde quando prestei Enem está cada vez melhor, estou sendo muito bem assistido nesse sentido”, comemora.
De acordo o coordenador de meios do vestibular em Bauru, Luiz Gonzaga Campos Porto, outros três candidatos mencionaram serem portadores de necessidades especiais.
Ansiedade
A expectativa em torno da prova deixa ansiosos também os pais. O gerente financeiro Antonio Hilário Luizão Modolo, 52, aguardava sua filha que pelo segundo ano concorre a vaga no curso de Relações Públicas. “Ela ficou de fora ano passado por apenas um ponto, faltou um estudozinho a mais. Espero que ela esteja mais preparada, fez cursinho, porém está muito tensa”, informa.
Experiente em vestibulares, Carolina Gonçalves Ferreira, 26, esteve na ITE para prestar jornalismo. “Estou bem segura e é a primeira vez que presto Unesp. Até o momento apenas fiz provas de instituições privadas”.
Quem correu o risco de ficar sem fazer a prova é a estudante Ana Paula Junqueira Ferreira, 17 anos. Ana Paula, que é de Lins, chegou no último instante antes de fecharem o portão. Enquanto corria, conversou com nossa reportagem. “Vim prestar para Relações Internacionais, estou com muita expectativa e ao mesmo tempo tranquila. Sei que tudo vai dar certo”, comenta.
Já a professora Ana Maria Sanches Evaristo, 45, trouxe Ana Paula de Pederneiras para prestar Ciências Biológicas. “Apesar de estar no segundo ano do Ensino Médio, ela (Ana Paula) se inscreveu para vestibular normal, para se preparar melhor. Ela na verdade quer medicina e também fará a prova da Fuvest”.
O casal Ademir Batista, 40, e Fabiana Ferreira de Moraes Batista, 36, de Pirajuí, trouxeram seu filho para prestar como treineiro. “Ele está prestando na área de Engenharia, fazendo mais para adquirir experiência, para ver como é difícil a prova e se preparar melhor para o ano que vem, assim ele tem mais chances de passar aqui e não ficar longe de casa”, esperam.