A entidade representante da categoria salienta que as principais respostas para os fatores são conhecidas desde 2003 no segmento, quando a Apeoesp realizou a primeira pesquisa ampla sobre o tema. “Os principais fatores relacionados à causa de doenças entre professores estão ligados a consequências de ordem psicológica, tendo o stress na frente da lista, mas outros fatores também são preocupantes, como a fadiga da voz, tendinites, lesão por esforço repetitivo e bursites. A nova pesquisa confirma esses dados e ainda acrescenta os efeitos negativos provocados pela precariedade nas condições de trabalho e o aumento do nível de violência ligado também ao ambiente da escola”, conta Suzi.
Conforme os dados da pesquisa, a atualização dos dados identificou que foi agravado o quadro de 2003 que apontou 73% dos professores lecionando em salas com mais de 36 alunos, sendo que 32% das classes contam com 41 alunos. “A superlotação é realidade antiga e sem solução”, cita. Outro problema é que 45% dos professores precisam manter outra atividade ou lecionar em mais de um período para complementar a renda, aprofundamento o nível elevado de stress e cansaço.
A deterioração das condições básicas na estrutura física das unidades estaduais também integra o levantamento. A jornada cansativa e extensa e a sobrecarga de atividades ligada ao ensino geram citações cumulativas em vários quesitos (leia quadros nesta página). “A falta de material pedagógico, a condição ruim de estrutura e de acústica das salas, o nervosismo, o cansaço e os problemas com voz, dor nas pernas, dores de cabeça e ansiedade estão presentes na atualização do levantamento”, acrescenta a diretora da Apeoesp.
Indicadores dos problemas
O levantamento elenca outras situações ainda não resolvidas e que afetam o trabalho no magistério paulista. Segundo Suzi da Silva, alguns desses indicadores apresentam menor incidência em escolas municipais (como superlotação, boa qualidade do material escolar e programa de reforma e ampliação de escolas em andamento pela Prefeitura de Bauru).
“Mas alguns problemas são comuns, como a necessidade de jornadas superiores a 36 horas em razão do salário ainda baixo exigir mais de um contrato para completar renda. Os problemas relacionados a voz e dor nas pernas também são comuns”, cita.
A Apeoesp reescreve que a acústica não tem a consideração técnica que merecia nos projetos das unidades, o que consolida os problemas relacionados a fala. “Mas o cansaço tem o maior índice, com mais de 80?% das citações, seguido do nervosismo com mais de 67% das menções e os problemas relacionados à disciplina por parte dos alunos e o enfrentamento com problemas sociais de fora da sala, como violência, álcool e drogas”, finaliza.