08 de julho de 2026
Política

Documento expõe gravidade no Base

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

 

Um documento protocolado por integrantes do Hospital de Base (HB) à Divisão Regional de Saúde (DRS-6) expõe a fragilidade no atendimento, já precário, que vem sendo realizado na unidade e os problemas acumulados decorrentes da indefinição na gestão. O documento, também de conhecimento do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), ainda não recebeu resposta. Segundo funcionários consultados pelo JC no Hospital de Base já faltam insumos para procedimentos básicos.

 

O documento protocolado no órgão responsável pela gestão dos serviços hospitalares em Bauru pelo governo do Estado no último dia 09 deste mês ainda está em aberto. De outro lado, na próxima quarta-feira, dia 21, uma mesa redonda no âmbito do Ministério Público do Trabalho (MPT) busca solução para outro impasse: a transferência de pouco mais de 1.000 funcionários da AHB para o novo gestor.   

 

Os questionamentos à DRS-6 foram apresentados na última reunião da Comissão de Transição que estaria preparando a transferência de gestão da AHB para a Fundação para o Desenvolvimento Médico Hospitalar (Famesp), de Botucatu. Representantes da Prefeitura de Bauru tiveram acesso ao conteúdo. 

 

Entre as principais preocupações administrativas e de gestão, o documento indaga: “O que fazer com os pacientes ainda internados no Hospital de Base a partir do dia 29 de dezembro, em especial as 30 vagas de UTI? Eles serão transferidos, como e para onde? Há plano de gestão para essa situação?”, apurou o JC. 

 

Os contratos de manutenção de insumos, como gases medicinais, manutenção e funcionamento de equipamentos, elevadores, fornecimento de água para hemodiálise, entre outros, serão rescindidos?

 

 

Lista de pendências 

 

Mas há outras pendências de gestão que afetam diretamente a população e continuam sem solução. “O que fazer em relação ao Hemonúcleo, que presta serviço indispensável no fornecimento de sangue e derivados e à hemodiálise? Será necessário realizar a transferência dos renais crônicos em diálise? Em caso positivo, para onde?”, elenca o questionamento.

 

Também há preocupação em relação aos contratos com as equipes que atendem às urgências cirúrgicas. Eles serão rompidos? Como ficará o atendimento emergencial para Bauru e região a partir do dia 29 de dezembro? 

 

Enquanto a Promotoria do Trabalho tenta dissolver o impasse em relação à mão de obra, item que preocupa sindicato e funcionários, o documento quer posicionamento se as rescisões dos contratos de trabalhos poderão ser efetivadas no dia 28 de dezembro? 

 

O serviço de necrotério que atende aos óbitos do Pronto-Socorro Municipal também precisa de solução. Embora a situação seja grave há anos, o problema não vem sendo tratado com a importância necessária. Enquanto isso, o chamamento público para assunção do Hospital de Base, medida de responsabilidade do Estado, ainda não foi efetivado. 

 

No âmbito financeiro, a entrada da AHB no Cadastro de Inadimplentes (Cadin) impede o repasse de recursos públicos, inviabilizando o hospital bem antes da data prevista para o término do convênio com o SUS. “Começam a faltar materiais hospitalares para o atendimento com segurança para os pacientes. Funcionários (vale alimentação) e médicos (honorários) receberiam por volta do dia 25 de novembro e não há garantia de recursos suficientes para os pagamentos. Em relação aos médicos, os honorários estão com atraso de quatro a seis meses para uma parte da equipe”, revelam integrantes da unidade.