09 de julho de 2026
Internacional

Polícia prende suspeitos de sequestrar auxiliar de Berlusconi

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

A polícia italiana prendeu nesta segunda-feira (19) seis suspeitos de participar do sequestro de um dos mais próximos auxiliares do ex-premiê italiano Silvio Berlusconi, por uma noite, no mês de outubro.

A informação só foi divulgada pelos meios de comunicação da Itália após a deflagração da ação policial. Os sequestradores, que estavam armados, pediram um resgate de Ç35 milhões de euros a Berlusconi e ofereciam em troca um documento que poderia reverter a condenação de uma de suas empresas em um caso de corrupção.

Giuseppe Spinelli, 71, era contador do político e empresário, e foi feito de refém ao lado da mulher, Anna, em seu apartamento, perto da cidade de Milão. O sequestro aconteceu na noite do dia 15 de outubro. Na manhã seguinte, os sequestradores forçaram Spinelli a ligar para Berlusconi pedindo o resgate. O documento que ofereciam supostamente auxiliaria a Fininvest, uma das companhias do magnata, a se livrar de uma multa de Ç 560 milhões.

Sem sucesso nas negociações, o grupo deixou o prédio de Spinelli no mesmo dia, removendo os equipamentos de segurança que encontraram pelo caminho.

Segundo a polícia, os seis criminosos já tinham cometido outros crimes. Com idades de 28 a 51 anos, três deles eram italianos e os outros três vinham da Albânia.

Nesta segunda-feira (19), um dos advogados de Berlusconi afirmou que "na verdade, o grupo não tinha nada a oferecer". O político só informou as autoridades policiais da tentativa de extorsão mais de 24 horas depois do caso, segundo a imprensa italiana.

Vítima

O advogado Niccolo Ghedini contou que Spinelli estava em choque no momento da ligação a Berlusconi, e não conseguia dizer que era vítima de um sequestro. "Ele temia pelas vidas da mulher e da filha, e era ameaçado por uma arma", disse Guedini.

Spinelli é conhecido no país por ser uma das figuras envolvidas nos escândalos sexuais de Berlusconi. O contador supostamente era o responsável por entregar o dinheiro às jovens mulheres que participavam das festas na mansão do político nos arredores de Milão, conhecidas como "bunga bunga". Ele também ajudava a pagar o aluguel dessas mulheres.

Berlusconi está sendo acusado, em julgamento, de pagar por sexo para uma prostituta menor de idade conhecida como Ruby. O ex-premiê nega ter cometido crimes, dizendo que as festas eram apenas jantares com apresentações de performances burlescas.

No fim do mês passado, Berlusconi foi condenado por um tribunal de Milão a um ano de prisão por fraudes fiscais, mas ele ainda pode recorrer e só será preso após uma decisão final.