A praia instalada no Distrital Waldemar de Brito é improvisada: não tem mar, guarda-sóis nem ambulantes oferecendo queijo assado, camarão ou salada de frutas. Mas tem o essencial: areia e muitos amantes do vôlei de praia.
As representantes de Bauru, Rossana Sousa e Márcia Medeiros, vindas diretamente de Brasília para jogar no time da cidade-sede do campeonato, estão entre os atletas que compõem essa praia inusitada.
Com a canga estendida no chão, chinelo nos pés e um bronzeado de quem tem o hábito de passar horas a fio tomando sol, elas contemplavam suas adversárias duelarem no campo com a tranquilidade de quem contempla o mar. Estão preparadas para entrar em quadra e treinaram muito para superar desafios.
Rossana Sousa começou a jogar vôlei de areia em 2001. Fez uma pausa para se dedicar ao vôlei de campo e, após uma lesão do joelho, em 2007, retornou para as areias, de onde não saiu mais. No ano passado, representou Bauru pela primeira vez nos Jogos Regionais. Com a classificação, tornou-se automaticamente a representante da cidade nos Jogos Abertos.
Sua parceira na disputa, Márcia, joga vôlei há 22 anos. Antes de mergulhar nas areias Brasil afora, ela dedicou-se por 12 anos às quadras. Pelo mesmo motivo da companheira, uma lesão no joelho (o esquerdo também, por coincidência), optou pelas praias.
Mas esta não é a única ocupação da morena. Ela tem, sim, um emprego fixo. Trabalha como assistente comercial em uma empresa de Brasília. Para conciliar a paixão pelo vôlei com seu ganha-pão, Márcia tem de superar limites.
“Acordo por volta das 5h30. Treino com a Rossana das 7h às 9h. Depois, vou para o trabalho, onde passo o resto do dia e, às vezes, parte da noite. É que para poder viajar para competir no vôlei tenho de dar conta de todo o serviço e pagar as horas que fico devendo. Por isso, quase sempre dobro o expediente”, conta ela.
E superação é a palavra de ordem nesta dupla. A começar pela distância que tiveram de enfrentar para chegar até aqui. Entre Brasília para Bauru há cerca de 950 quilômetros. Distância encurtada pela vontade de competir e levar para casa uma medalha.
“É claro que vale a pena. Fazemos isso por paixão. Pelo valor que o esporte tem em nossas vidas. Onde tiver uma bola e uma rede, sempre vai compensar”, avalia Rossana.
Praia improvisada
Outro desafio será jogar em uma praia improvisada. Como a areia não é natural do local, o campo é menos fofo e, portanto, causa mais impacto nas quedas e nos saltos.
“A areia não está muito fofa. Está fácil de se locomover e isso não ajuda muito. Mas, se está difícil para elas, está para nós também”, ressalta Márcia.
Mas, para quem quebrou barreiras geográficas, trabalhistas e superou limites físicos, talvez pareça redundante perguntar se elas acreditam na possibilidade de medalhas.
“Claro que sim! Sabemos que está difícil, mas não é impossível. Depois do circuito Banco do Brasil, o Jogos Abertos é o torneio de melhor nível técnico. Nossas adversárias são dificílimas. Mas nós também somos”, pondera Rossana.
“É só elas darem brecha que não perderemos a oportunidade”, afirma Márcia, decidida.
Jogo de estreia
As duplas masculina e feminina de vôlei de praia de Bauru estrearam ontem. Rossana Sousa e Márcia Medeiros disputaram a partida contra o time de Pindamonhangaba, na tarde de ontem, e perderam por dois sets a zero. O primeiro de 18x13 e o segundo de 18x15. Elas voltam a entrar em quadra hoje, contra o time de Santana de Parnaíba, às 10h, e precisam ganhar para passar para a próxima fase.
Lafit e Paulo Amado duelaram contra Sorocaba e também perderam por dois sets a zero. O placar foi inverso ao do time feminino. O primeiro set foi 18x15 e o segundo 18x13. A dupla entra em quadra hoje, às 9h30, contra o time de São Caetano, e precisa da vitória para seguir na competição.