09 de julho de 2026
Bairros

Cone evita ?oportunismo? em vagas

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

A dificuldade para encontrar uma vaga para estacionar ao fazer coisas simples, como ir a uma farmácia e a um supermercado, levou uma portadora de deficiência física a lutar para garantir seus direitos em alguns estabelecimentos em Bauru.

O nome dela é Rosilei Aparecida Motta, que há dois anos trabalhava como engenheira elétrica na elaboração de projetos de acessibilidade para o governo do Estado e, por ironia do destino, teve sua mobilidade corporal reduzida devido a problemas na bacia e no joelho.

Atualmente, Rosilei, que acabou se aposentando por invalidez, utiliza próteses em um dos joelhos e na bacia. A partir disso, ela conta que passou a vivenciar uma série de situações envolvendo o desrespeito no trânsito frente às vagas especiais de estacionamento.

“Temos poucas vagas na cidade e elas estão ocupadas, quase sempre, por jovens ou pessoas que não são deficientes. Existe muita falta de educação nesse sentido”, ressalta Rosilei.

Devido à dificuldade de estacionar para ir ao supermercado ou a farmácia realizar aplicações de remédios, por exemplo, ela começou a argumentar sobre o desrespeito com os gerentes de uma farmácia no Centro e de um supermercado próximo ao Terminal Rodoviário da cidade.

Douglas Reis

Segurança Valdir de Camargo retira cone para Rosilei estacionar seu carro em vaga especial

 

Há alguns meses, segundo ela, esses estabelecimentos passaram a adotar a estratégia de colocar cones nas vagas especiais para deficientes físicos para evitar o “oportunismo”.

“Duas semanas depois da conversa, eles colocaram cones nas vagas e começaram a pedir para ver o cartão de vaga especial da Emdurb (Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru) antes de permitir o estacionamento. Foram coisas pequenas, mas que fizeram toda a diferença”, relata Rosilei, que hoje diz encontrar menos dificuldade para estacionar nesses locais. 

“O desafio é conseguir que as vagas, não só de deficientes, mas também as de idosos, recebam a mesma atenção em outros lugares”, completa.

Diferentemente da realidade vivida há alguns dias, na manhã de ontem, ao chegar para fazer as compras acompanhada pelo marido, Roseli não teve dificuldades para estacionar e agradeceu a retirada do cone pelo encarregado de segurança do supermercado, Valdir de Camargo, que checou a credencial da mulher e liberou o uso da vaga especial.

 

No limite

Questionado sobre a situação das vagas especiais na cidade, o presidente da Emdurb, Nico Mondelli, informou que a quantidade atual corresponde ao estabelecido pela legislação municipal.

“A lei diz que precisamos destinar 3% das vagas regulamentadas para deficientes e 5% para idosos. Estamos agindo no limite da lei”, pontua o presidente da Emdurb.

De acordo com a assessoria de imprensa da empresa, das 2.258 vagas regulamentadas na região central da cidade, ou seja, áreas verde ou azul, 160 são destinadas para idosos e 171 para deficientes físicos. Ainda segundo a Emdurb, neste ano foram emitidas 7.406 credenciais para o uso da vaga por idosos e 755 para pessoas com deficiências.

A fiscalização das vagas em ruas é feita pelo Grupo de Operações de Trânsito (GOT) ou pela própria Polícia Militar (PM). Já nos estabelecimentos privados, a responsabilidade fica por conta da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan).

A empresa também enfatiza que vem trabalhado junto à Polícia Militar para promover a educação no trânsito e realiza campanhas com o tema “Eu respeito a vaga especial” em outdoors e luminosos na cidade.

 

Conscientização

Para o vereador Fábio Manfrinato, que é portador de deficiência física, a iniciativa de colocar cones nas vagas especiais nos estabelecimentos privados tem pontos positivos e negativos.

“O bom é que os oportunistas não irão utilizar as vagas especiais, mas o ruim é que o cone será mais uma barreira para que o deficiente possa estacionar. Afinal, esses estabelecimentos devem ter funcionários dispostos para que a liberação da vaga ocorra no mesmo momento”, observa Manfrinato, comentando que é preciso maior conscientização da população frente ao assunto.