09 de julho de 2026
Bairros

Sorri inaugura sala de emergência

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

A partir de agora, o Centro de Reabilitação Sorri-Bauru passa a contar com uma sala para oferecer atendimento de urgência e emergência aos usuários da instituição. No espaço, inaugurado ontem, serão prestados serviços de primeiros-socorros em casos de paradas cardiorrespiratórias, arritmias cardíacas, hipertensão e até mesmo de suporte para intubação. Outras três salas, que servirão para avaliação neuropsicológica, atendimento de autistas e atividades psicopedagógicas, também foram inauguradas ontem.

A enfermeira Marcela Paulin Fraile explica que a sala de urgência e emergência realizará os procedimentos iniciais em casos considerados de risco. “Enquanto o atendimento é feito, acionaremos o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) para que o paciente seja encaminhado ao Pronto-Socorro. Antes, não tínhamos condições de fazer este monitoramento prévio”, detalha.

Conforme Marcela, o espaço tem fundamental importância em um local em que muitos usuários são vulneráveis a problemas cardiovasculares. “Muitos utilizam traqueostomia, outros são dependentes de oxigênio, com sinais vitais - como pressão arterial e batimentos cardíacos - descompensados. Nestas condições, um socorro preciso pode minimizar o risco à vida e prevenir sequelas”, comenta.

Entre os equipamentos disponibilizados na nova sala, estão aparelho de eletrocardiograma, monitor cardíaco, oxímetro de pulso, material para intubação, aspirador, reanimador com balão de oxigênio e desfibrilador. Todos eles foram financiados pelo Consulado Geral da Alemanha em São Paulo, que aprovou o projeto “Suporte à Vida”, idealizado pela Sorri.

 

Espaço especial

Além da sala de urgência e emergência, outros três ambientes foram inaugurados ontem, em solenidade que contou com apresentação de crianças que recebem tratamento na Sorri e a presença de autoridades e pais dos usuários. Conforme destaca o presidente da instituição, João Carlos de Almeida, o João Bidu, elas serão voltadas ao atendimento de crianças com necessidades educacionais especiais, que não são propriamente deficientes, mas que enfrentam dificuldades de aprendizado na escola e até mesmo de convívio social.

“São crianças com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), distúrbio de aprendizagem, dislexia, distúrbio de linguagem, autismo e gagueira, entre outros. Elas são atendidas desde 2009 pela Sorri, mas, agora, terão um espaço especial”, completa.

As três salas foram equipadas com recursos da Secretaria Municipal de Educação. Ao todo, foram investidos R$ 55 mil nas novas instalações, que serão utilizadas para atendimentos especializados aos alunos da rede municipal.

“Antes de iniciarmos este projeto, que agora contará com salas próprias, estas crianças não encontravam atendimento em nenhum lugar. Elas serão atendidas no contraturno do horário escolar e recebidas por uma equipe multiprofissional”, frisa a secretária municipal de Educação, Vera Casério.

 

Funções

Segundo a diretora executiva da Sorri-Bauru, Maria Elisabete Nardi, uma das novas salas do projeto “Suporte à Vida” será voltada ao trabalho com autistas e ainda com pacientes portadores de paralisia cerebral. Outra servirá para a aplicação de testes diagnósticos que demandem silêncio e isolamento, como pacientes com dislexia e deficiência auditiva.

A terceira será utilizada para a ampliação das atividades psicopedagógicas, serviço já prestado pela Sorri. “Além dos alunos da rede municipal, qualquer outro usuário da Sorri, se houver necessidade, também será atendido nas novas instalações”, destaca.

Conforme lembra Cláudia Granja, diretora da reabilitação, embora não sejam deficientes, crianças com necessidades educacionais especiais também podem sofrer para se adaptar ao meio escolar e ao convívio com os colegas. “E essa dificuldade pode levar à baixa autoestima, causar danos psicológicos e, inclusive, de aprendizagem. Nosso objetivo é evitar que isso aconteça”, cita.

 

Setor de projetos

A diretora executiva da Sorri-Bauru, Maria Elisabete Nardi, revela que a instituição conta com um setor de desenvolvimento de projetos para angariar recursos junto a órgãos públicos e empresas privadas. É deste modo, segundo ela, que a entidade consegue realizar tantas atividades simultaneamente, tais como visitas escolares, plantão para pais e professores, capacitações, prescrições de adaptações e adequações escolares, relatórios multiprofissionais e consultoria sobre acessibilidade.

Para se ter uma ideia, de janeiro até a primeira quinzena de novembro, mais de 33 mil atendimentos foram realizados. “Financeiramente, não somos autônomos. Por isso, estamos sempre elaborando e enviando projetos. Mas, de cada 100, um é aprovado. É um trabalho árduo, mas recompensador”, comenta.

Ainda de acordo com Maria Elisabete, mesmo com um bom número de convênios, a Sorri-Bauru ainda participa anualmente de campanhas solidárias junto à comunidade para engordar o caixa da entidade. “Nossa demanda é muito grande e atendemos além da meta estabelecida pelo Sistema Único de Saúde. Agora, estamos às vésperas de renovar o contrato com o SUS e esperamos que nossa cota seja ampliada”, comenta.