08 de julho de 2026
Geral

Improviso ?salva? HB após apagão

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Um apagão ocorrido entre a madrugada e a manhã de ontem atingiu parte do Hospital de Base (HB) por mais de duas horas. O fato, segundo a unidade, aconteceu devido a uma falha na rede elétrica, que teria se iniciado às 5h e só foi solucionada por volta das 7h30.

O gerador do hospital não funcionou e foi preciso o auxílio de uma unidade móvel para recarregar as baterias do equipamento para que alguns setores, como a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), não fosse prejudicada pela interrupção. 

Conforme o JC apurou no local, funcionários disseram que, no momento em que houve a interrupção no fornecimento de eletricidade, os pacientes da UTI passaram por procedimentos manuais de respiração. Ao contrário do que o hospital afirmou, para eles o problema teria começado às 4h e causou certo tumulto no interior da unidade.

Alguns pacientes que fariam exames acabaram deixando o hospital com a negativa ainda no início do dia de ontem. Por toda a manhã, a unidade móvel da UTI permaneceu estacionada aos fundos do hospital sob a vigilância de alguns funcionários. Os fios com as ligações de emergência evidenciavam o improviso para garantir a recarga do gerador com problemas.

 

Em dia

O interventor do HB, Cláudio Pereira Godoy, chegou à unidade por volta das 9h30 para apurar o problema e confirmou a situação informando que, apesar do transtorno, não houve prejuízos para os pacientes da unidade.

“Houve a interrupção e o gerador não funcionou. Mas não houve prejuízos. Inclusive, uma perua foi adaptada para fazer a carga das baterias com problemas”, enfatizou Godoy, explicando que as instalações antigas do prédio podem ter contribuído para a interrupção da energia.

“As contas de luz estão em dia, mas as instalações são antigas. Temos muitos problemas para resolver, a situação é difícil. Estou me dedicando para tentar resolver isso tudo”, desabafou Godoy.

O interventor não soube informar quais os setores específicos que foram atingidos pelo apagão e nem o número de exames que precisaram ser remarcados, ou mesmo se houve o cancelamento de cirurgias.

Além disso, a unidade também não disse qual a causa do problema e se um técnico seria deslocado para consertar o gerador.

A informação final é de que o serviço foi retomado por volta das 7h, mas somente às 9h30 era possível notar maior movimentação de pessoas sendo atendidas e liberadas pelo hospital.

CPFL Paulista informou ao JC que uma equipe foi enviada ao local assim que a ocorrência foi registrada, às 6h03 de ontem. Os técnicos da empresa estiveram no local e, segundo a CPFL, constataram que o defeito apresentado não fazia parte da rede elétrica de distribuição de energia da companhia.

 

Momentos de apreensão

Enquanto funcionários corriam dentro da unidade para garantir o fornecimento de energia elétrica de forma improvisada, do lado de fora muitos familiares de pacientes internados na UTI estavam apreensivos.

“Meu marido está em jejum desde ontem esperando para fazer uma cirurgia, mas por causa do blackout, o médico disse que é melhor esperar. É triste ver um hospital desse porte precário assim”, lamentou a costureira Ivanete de Oliveira Golbeti, 55 anos, que aguardava liberação para visitar o marido na ala de internação.

A mesma apreensão era compartilhada pela família de um cardíaco internado desde o dia 19 de novembro na unidade. Ao saber do apagão, Elson Antônio Silva, 33 anos, filho do paciente, demonstrava preocupação com o pai, que passou a noite realizando exames no hospital.

“Ficamos inseguros com essa situação. E se ele precisar fazer uma cirurgia e a energia acabar?”, questionava o rapaz ao lado de sua mãe, Roseli Faria, 56 anos, e seu irmão Cláudio Roberto Yovanovic, 39 anos.

Já a do lar Nilda Souto, 53 anos, que ficou internada para realizar exames, conta que ouviu uma enfermeira falar sobre a falta de energia na UTI durante a madrugada.

“Eu ouvi a moça dizendo que parte do hospital estava sem energia, mas eu estava no quarto e não senti nada acontecer”.

 

Moção de apoio

O Conselho Regional de Medicina (CRM) discutiu ontem a aprovação de uma moção de apoio ao movimento formado pelo corpo clínico do Hospital de Base. De acordo com o conselheiro do CRM Carlos Alberto Monte Gobbo, os médicos pedem a aprovação de uma proposta de que a Secretaria de Saúde do Estado se reúna com os representantes da unidade para discutir melhores condições de trabalho e dar garantias em relação à segurança dos pacientes e funcionários do hospital até que o período de transição termine.

Segundo Gobbo, caso a negociação não ocorra até o quinto dia útil do próximo mês, as categorias do movimento que inclui médicos, dentistas, entre outros, prometem paralisar os plantões médicos e iniciar desligamentos coletivos com a unidade de saúde.

Conforme o conselheiro, atualmente os médicos estão sendo pagos com dois meses de atraso e alguns funcionários não tiveram o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) depositado pela instituição. “Tudo isso demonstra a falta de compromisso do Estado com os funcionários e com os pacientes do hospital”, diz Gobbo.