Nesses últimos dias falou-se muito de Educação. Nos palanques eleitorais, muitas propostas; na mídia, "velhas" teorias da sociologia do crime correlacionadas à ausência de valores... Até a Organização das Nações Unidas acaba de lançar a "Educação em Primeiro Lugar", para incentivar o mundo a retomar, até 2015, os compromissos de colocar todas as crianças na escola, melhorar a qualidade da aprendizagem e promover a cidadania global. "Quando colocamos a Educação em primeiro lugar, nós podemos reduzir a pobreza e a fome, acabar com o desperdício de talentos em potencial e esperar por sociedades mais fortes e melhores para todos", disse Ki-moon, secretário Geral das Nações Unidas. É uma decisão histórica, que reconhece o poder da educação de transformar vidas e construir sociedades mais sustentáveis, pacíficas e prósperas, afirmou a Unesco, convidada para planejar e levar essa iniciativa adiante.
Sabemos que a educação, principalmente de cidadania, não se aprende apenas na escola. Mas é nela que muitos encontram a única oportunidade de aprender os direitos e os deveres dos cidadãos, o respeito pelos valores democráticos e pelos direitos humanos. Claro que muitos a procuram com o principal desejo de "mudar de vida" e ter uma assenção social e econômica. Isso geralmente acontece e, para alguns, até antes de concluírem o ensinsuperior - como Dustin Moskovitz, cofundador do Facebook; Sean Parker, presidente fundador do Facebook; e Matt Mullenweg, criador do WordPress, dentre outros. É certo que a educação propicia ao educando conhecimentos científicos - para exercer a profissão que escolheu. Mas, ao mesmo tempo, forma-o para a solidariedade, a tolerância e para a participação numa sociedade democrática.
A verdadeira educação é um excelente instrumento que põe a descoberto ou faz atualizar o melhor de uma pessoa, conforme nos ensina Mahatma Gandhi. Seu neto, Arun Gandhi, em julho desse ano, afirmou no "Fórum Educação em Primeiro Lugar", em Salvador: "Não fui à escola, não recebi a educação formal de uma universidade, por exemplo, mas acredito que tenho um legado para compartilhar com outras pessoas. A educação é sempre o melhor caminho para evitar a violência. E não só a educação que os professores ensinam. Falo também dos valores que são passados pela família e que contribuem para a formação de bons homens. Espero que vocês sejam os pioneiros a mostrar para o mundo que através da educação pela paz é possível mudar o mundo".
Ainda há muito que se fazer na educação. O Relatório de Monitoramento Global Educação para Todos da Unesc estima que, aproximadamente, 61 milhões de crianças em idade escolar primária ainda não estão na escola, 250 milhões de crianças que deveriam ter chegado à quarta série ainda não sabem ler ou escrever e mais de 775 milhões de adultos permanecem analfabetos.
Isso aumenta o número de jovens desempregados, aprofunda desigualdades e aumenta tensões sociais. Em consequência, precisamos aumentar a "segurança" em nossas casas e nas ruas; ampliar e "humanizar" presídios. Está na hora do compromisso pessoal e o poder de convocação do secretário Geral da ONU conscientizar nossa sociedade de que a educação não é simplesmente um imperativo moral, mas sim o melhor investimento que as nações podem fazer para construir sociedades prósperas, saudáveis e igualitárias.
A forma é bastante simples: pensar e agir na construção de um sistema educacional com todas as crianças na escola, boa qualidade de ensino-aprendizagem e muita cidadania, conforme nos sugere a ONU. Esse foi o caminho seguido por muitos países hoje desenvolvidos.
O autor, José Marta Filho, é vice-reitor do Unar