09 de julho de 2026
Nacional

Macarrão incrimina ex-goleiro Bruno

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Contagem - Após duas horas e 40 minutos de interrogatório, o réu Luiz Henrique Romão, o Macarrão, incriminou no início da madrugada de ontem o goleiro Bruno pelo desaparecimento e morte de Eliza Samudio, em junho de 2010.

Segundo Macarrão, Bruno havia pedido que ele levasse Eliza até um ponto próximo da Toca da Raposa - centro de treinamento do Cruzeiro na Pampulha, em Belo Horizonte - onde um homem a estaria esperando. “Eu estava pressentindo que ela iria morrer.”

Macarrão, nessa parte do depoimento, começou a chorar. Ele disse ter tentado demover Bruno da ideia de assassinar Eliza. “Bruno, estou falando, deixa essa menina em paz. O Cleiton já foi preso. O Jorjão já foi preso. Não quero ser mais um a entrar no sistema. Qualquer coisa que acontecer, vão colocar a culpa em mim”, disse o réu.

Nesse momento, segundo Macarrão, Bruno teria dito: “faz o que estou dizendo, larga de ser bundão”. “Sou pica. Sou Bruno.”

Segundo Macarrão, Bruno enganou Eliza, que achava que estava sendo levada a um apartamento.

Macarrão afirmou ter deixado ela perto do local combinado, onde um Fiat Palio escuro a esperava. O réu disse que saiu do lugar rápido e que não viu o que aconteceu depois. “Eu estava apavorado. Quase bati o carro”.

Procurando a mãe de Eliza na plateia, Macarrão disse que se soubesse onde está o corpo da ex-namorada de Bruno, ele contaria. Segundo o réu, é mentira a versão contada por Sérgio Rosa Sales Camelo, primo do jogador, de que partes do corpo de Eliza teriam sido jogadas a cães da raça rottweiler.

O interrogatório da acusação terminou por volta das 4h com o réu reafirmando sua inocência. “Não sou assassino”, disse Macarrão ao advogado assistente de acusação.

Questionado pela Promotoria sobre os boatos de que seria homossexual, Macarrão disse que isso não é verdade. O réu afirmou que não teria nenhum problema em assumir essa condição, caso fosse verdade. Segundo ele, tais boatos foram criados pelo ex-advogado de Bruno, Rui Pimenta.

“Não há dinheiro de ação que pague o tanto que fui humilhado dentro do sistema por causa dessa afirmação”, disse.

Sobre a tatuagem que fez nas costas, em que chama sua amizade com Bruno de “amor verdadeiro”, Macarrão disse que foi feita uma semana antes da viagem e que Bruno também faria uma. “Acho que amizade acabou hoje aqui.” “Ele não foi honesto com ele mesmo. Eu tinha ele como meu irmão”.

Durante o interrogatório, Macarrão disse que a relação entre as mulheres de Bruno “eram um jogo de muitas cobras”. O réu contou que havia uma forte disputa entre elas. Segundo ele, a ex-mulher do goleiro, Dayanne Souza, incentivava Eliza a prejudicar Bruno por ciúmes de sua noiva, Ingrid Oliveira.

Na manhã de ontem, a juíza Marixa Rodrigues mudou novamente a data do julgamento do goleiro Bruno. A nova data do júri será em 4 de março de 2013.