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Malavolta Jr. |
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Bauruense Evelin Ianca garantiu medalha de bronze para a cidade |
O sol era causticante. O terreno, apesar da pista de primeiro mundo construída para as provas de atletismo no estádio Milagrão, era poeirento (não houve quem não trouxesse ‘souvenirs’ de terra após passar pelo estádio).
Essas eram as condições iguais que tanto atletas de ponta, entre eles Mauro Vinícius da Silva, o “Duda”, campeão mundial indoor no salto à distância, ou jovens promessas do esporte, como corredora bauruense Evelim Passos, de 16 anos, encontraram durante a quente tarde de ontem em suas respectivas provas. Em comum, também: medalhas.
Representando São Caetano do Sul, o prudentino de nascimento cravou o ouro ao saltar 7,93m. Sua melhor marca, que lhe rendeu o título de campeão do mundo, em competições indoor, foi cravada neste ano, na Turquia, onde saltou 8,28m. “O calor prejudicou muito o desempenho. Foi mais difícil do que eu esperava”, analisa o campeão mundial.
Assistidos de perto por Fabiana Murer – a campeã mundial no salto com vara competiu no Milagrão no período da manhã (leia na página 14) – os atletas, comissões técnicas, organizadores, voluntários e imprensa, tostaram sob o forte sol que castigou Bauru durante a tarde de quinta-feira. “Acho que deveriam repensar o calendário, com os Jogos no meio do ano”, sugere Duda.
Além da época do ano em que o verão começa a dar as caras, o campeão mundial de salto à distância também salienta o desgaste em competir nos Abertos em final de temporada.
“Foi um ano muito bom, mas, conforme vai terminando, nosso rendimento também cai um pouco. O calendário é muito extenso”, considera ele, admitindo que a parada não foi fácil (o segundo colocado, Paulo Oliveira, saltou 0,26 cm a menos).
Em lapidação
Única medalha do dia no atletismo de Bauru, o terceiro lugar da jovem Evelin Passos representa importante passo no processo de lapidação de uma das “joias” do núcleo de formação de novos atletas, comandado pelo Cabo Alcides.
Orgulhoso após o resultado da pupila, o treinador se diz confiante na revelação de novos talentos com o legado dos Jogos. “Esta pista receberá atletas em outro estágio de desenvolvimento, vindos da escolinha”.
Tímida, a menina Evelin parecia ainda meio “fora de órbita” logo após a medalha no peito. Para ela, o terceiro lugar na Primeira Divisão dos Jogos Abertos do Interior vai para casa ao lado de outras memórias, principalmente, por competir, em mesmo horário e terreno, que feras mundiais do esporte. “Tirei fotos com todos eles”, diz, sorridente, no melhor da simplicidade dos iniciantes.
Com vasta bagagem internacional, mas a mesma humildade de Evelin, o campeão mundial de salto à distância elogiou a estrutura montada na cidade e torce para que o legado físico dos Jogos seja zelado como merece. Morador de São José do Rio Preto, ele atesta que pista semelhante construída para os Abertos naquela cidade, no início da década passada, já não tem a mesma qualidade.
São Caetano domina
De todas as provas ontem no Milagrão, apenas os 800m rasos não tiveram atletas de São Caetano do Sul no pódio. Entre os bauruenses, além da medalha de Evelin, havia também grande expectativa sobre o desempenho de Carlos Alberto Gomes Barbosa no arremesso de peso.
Quarto colocado nos Abertos de Mogi das Cruzes, no ano passado, o representante da cidade terminou a prova na sexta colocação. O campeão foi Ronald Odair Julião, de - para não fugir à regra - São Caetano do Sul.
Corinthians ‘lidera’ nos souvenirs
Mesmo numa atmosfera em que os esportes olímpicos predominam, a torcida corintiana mantém a lua-de-mel com o time que perdura desde a conquista da Copa Libertadores. Nas barracas que vendem souvenirs, principalmente camisetas, alusivas aos Jogos Abertos de Bauru, “becas” com o distintivo alvinegro disputam a liderança das vendas de forma equilibrada com as peças temáticas.
É o que atesta a vendedora ambulante Andressa Nayara de Souza Sales. Autorizada pela prefeitura, ela mantém uma barraca com as camisetas dentro do estádio de atletismo e atesta: “a procura pelas camisas do Corinthians está ‘pau a pau’ com as camisetas dos Abertos”, diz a ambulante, que, declaração “suspeita” ou não, é torcedora alvinegra.
Vinda do Paraná, ela vende camisetas temáticas da competição há sete anos. “Aqui temos parceria da prefeitura. Em algumas cidades, não é possível entrar no estádio. Aí a gente tem de ficar do lado de fora. Mas vendemos da mesma forma. É nosso ganha-pão”, justifica.
‘Pai da Matéria’ brilha
]Presenças ilustres dentro da pista mereciam ser aplaudidas por um publico de alto quilate. Ontem, no Milagrão, ninguém menos do que Osmar Santos, um dos maiores locutores da história da TV e rádio esportivo, prestigiou o início das competições durante a tarde.
Homenageado antes das provas, o “Pai da Matéria”, mesmo que com poucas palavras (ainda tem dificuldade na fala por consequência de grave acidente do qual foi vítima, em 1994), elogiou a recepção e a festa esportiva da cidade. A única reclamação: “calor”, brincava o inventor de expressões eternas, como “Edmundo Animal” ou “pimba na gorduchinha”.
O jargão, aliás, quase batizou a bola da Copa do Mundo do Brasil, daqui a dois anos. A fornecedora de material esportivo fabricante da redonda, entretanto, a denominou “brazuca”. Osmar confessou que estava na torcida para que a gorduchinha, de fato, fosse batizada desta forma.
“Pena, (foi) por pouco”, lamentou o ex-locutor, que agora dedica-se à pintura, ao comando de uma agência de notícias esportivas e, obviamente, a uma extensa agenda de homenagens (receberia mais uma ontem à noite, na final do basquete masculino na Panela de Pressão.
“Ele (Osmar) não pode falar muito. Mas traz, com enorme prazer, sua energia positiva com a presença e exemplo de superação”, define Marcelo Rocha, assessor de imprensa de Osmar.