08 de julho de 2026
Bairros

Homem é acusado de molestar menores

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 5 min

Um homem de 34 anos foi preso ontem sob a acusação de abusar sexualmente de três adolescentes, duas de 11 anos e uma de 14 anos, em Bauru. As meninas são primas do acusado, que teve a prisão preventiva decretada e deve permanecer na cadeia de Barra Bonita por pelo menos 30 dias, enquanto o inquérito se desenrola.

A investigação sobre o caso começou em setembro, após a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) receber denúncias anônimas e a queixa oficial dos pais de Bruna (nome fictício), de 11 anos. Os nomes verdadeiros de todos os envolvidos no caso estão sendo ocultados para preservar e evitar constrangimentos às vítimas.

Durante o processo de investigação, a delegada titular da DDM, Priscila Bianchini de Assunção Alferes, colheu depoimentos de Bruna, que acabou revelando que uma de suas primas, Tatiana (nome fictício), 11 anos, havia passado pela mesma situação.

Enquanto a intimação para depoimento dos responsáveis pela segunda menina estava em andamento, Raquel (nome fictício), de 14 anos, irmã de Bruna, também relatou que havia sofrido abuso. Ontem pela manhã, Tatiana e seus responsáveis foram ouvidos e confirmaram a versão de Bruna.

Apesar de negar as acusações, Cláudio (nome fictício) foi preso preventivamente com base nas provas colhidas durante o processo inicial de investigação, realizado pela delegada responsável pelo caso.

O laudo do Instituto Médico Legal deve sair entre 15 e 30 dias. O advogado do acusado, Luiz Marcos, não confirma nem desmente as acusações e diz que precisa tomar ciência do caso antes de dar a versão de seu cliente.


Revelação

Bruna, a mais nova das vítimas, foi a primeira a revelar a situação para outra pessoa após uma nova investida de Cláudio, na noite de 28 de setembro.

“Ele apareceu lá em casa procurando por ela. Disse que queria que ela o acompanhasse até o mercado. Eu disse que ela estava na casa de uma amiguinha. Então, meu filho mais novo se ofereceu para acompanhá-lo. Minutos depois o menino voltou, dizendo que Cláudio tinha encontrado a Bruna no meio do caminho e decidiu levar só ela ao mercado”, conta Maria (nome fictício), mãe da menina.

Depois de fazer compras, o acusado teria levado Bruna para casa, onde disse que havia um presente para ela. Na sequência, pediu para fazer uma massagem no corpo da menina, mas interrompeu os planos porque um parente chegou naquele momento.

“No domingo, ela decidiu desabafar sobre o caso para uma tia da igreja. Perplexa, ela contou o caso para o pastor, que veio conversar comigo e ressaltou a importância da denúncia. No dia seguinte, levei a Bruna para fazer um exame no posto de saúde, que comprovou tudo o que ela tinha contado”, relata Maria, que na sequência registrou queixa na DDM.

Segundo depoimentos da menina, os abusos aconteciam desde que ela tinha 5 anos, porém, a decisão de contar para um adulto foi tomada somente naquele dia. Entre os motivos apontados estão a preocupação em não agravar os problemas de saúde da mãe, a reação imprevisível dos pais e até mesmo a sensação de culpa.

“De vez em quando ela falava que sentia muitas dores nas partes íntimas e chegava a chorar. Mas eu nunca desconfiei de nada. Achava que era infecção ou coisa do tipo. Na época, cheguei a perguntar para ela se meu marido tinha tentado alguma coisa contra ela, já que ele é usuário de drogas”, conta a mãe, aos prantos.

Simpatia e presentes fariam parte do ‘processo de convencimento’

Segundo Maria, mãe de Bruna e Raquel, ninguém da família nunca desconfiou de Cláudio. Prestativo, ele costumava ajudar todos da vizinhança e era muito carinhoso com as crianças.

Primo da família, ele chegou a morar por um tempo em uma edícula localizada nos fundos da casa de Maria e costumavam jantar juntos quase todos os dias. Além disso, Cláudio é casado há cerca de sete anos e tem um bebê de poucos meses.

“As meninas eram ‘grudadas’ nele, e ele sempre dava muitos presentes para elas. Nunca desconfiei de nada. Na minha cabeça, era como se fosse um pai para as meninas”, pondera Maria.

De acordo com ela, o acusado foi seu braço direito quando seu marido passou por problemas com drogas. Cláudio chegou até mesmo a ajudar a família com cestas básicas quando passaram por necessidades financeiras.

“Sempre que precisava resolver algum problema com meu marido ou quando ficava acamada por conta de meu problema de saúde, era o Cláudio quem ficava responsável por elas. Eu devia ter prestado mais atenção. Devia ter parado de trabalhar para ficar de olho nelas...”, culpa-se Maria.

 

Outras vítimas?

Mesmo com a denúncia de Bruna, a irmã mais velha, Raquel, seguiu por muito tempo negando que havia enfrentado os mesmos problemas. Ela só confirmou o fato na noite da última quarta-feira, em uma conversa com a delegada.

“Ela contou que sofria abuso desde os 5 anos, mas que nunca denunciou por medo de apanhar dos pais e porque gostava dos presentes que ganhava de Cláudio. Ela se sente culpada por tudo, mas diz não saber nada sobre o que acontecia com a irmã”, afirmou a delegada da DDM Priscila Bianchini de Assunção Alferes, que informa ainda que a menina passou por um grande estresse durante o depoimento, passou mal e teve de ser internada.

Há alguns anos, Raquel chegou a frequentar uma psicóloga, levada pela mãe que estranhava o fato da filha frequentemente se trancar no quarto e passar noites chorando. Realizou o tratamento por quatro meses e o interrompeu sem que nada fosse diagnosticado.

O último depoimento deu mais peso ao caso e foi realizado na manhã de ontem. Tatiana, prima de Bruna e Raquel, também disse à delegada que sofreu abuso por parte de Cláudio quando tinha entre 5 e 6 anos. Os pais da garota tomaram conhecimento do caso há uma semana, mas decidiram não procurar a polícia para não expor a filha.

“Eles disseram que tomaram providências, como afastar a menina de Cláudio, mas que não procuraram a polícia por não querer expor a menina”, afirma a delegada, que acredita haver outras vítimas do acusado.