08 de julho de 2026
Geral

Autoescola: procura cresce até 40%

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

A chegada das férias e do 13º salário cria, a cada final de ano, uma corrida às autoescolas de Bauru. A partir de meados de novembro até dezembro, o número de alunos que pretendem obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) chega a crescer 40% em relação ao restante do ano.

Além de os candidatos estarem com mais dinheiro no bolso e tempo livre em razão das férias, este período se torna bastante concorrido e tumultuado por conta do recesso da 5ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), que suspende as atividades nos últimos 15 dias do ano. “Existe uma correria, porque os alunos, principalmente estudantes que estão para entrar na faculdade, querem fazer o exame logo para já entrar no ano seguinte com a CNH na mão”, comenta Iracino Francisco de Matos, diretor-proprietário de uma autoescola da cidade.

Além de emitir a carteira de habilitação, cabe à Ciretran registrar, no início do processo, foto e digitais do candidato para que ele possa fazer exames teórico, médico e psicotécnico. Depois disso, o aluno realiza ao menos 20 aulas práticas (sendo quatro noturnas) e pode se submeter ao exame ao volante, que são realizados semanalmente.

Para se ter uma ideia, na última prova, cerca de 150 candidatos tentaram obter a carta de moto e outros 300 foram avaliados para poder dirigir carro. Por conta da alta demanda e também devido à aproximação do recesso da Ciretran, não é mais possível agendar novos candidatos para o exame prático neste ano.

“Agora, só em meados de janeiro. Aluno que está fazendo aula hoje vai ter de esperar”, adianta o instrutor Sílvio Gonçalves, que trabalha no ramo há 11 anos. Proprietária de outra autoescola, Lucineia Plana explica, no entanto, que os números elevados refletem ainda um outro fenômeno.


Oferta x demanda

Com as facilidades para a aquisição de motocicletas e automóveis, a demanda por aulas de direção vem crescendo substancialmente, com maior ênfase nos últimos três anos. Em contrapartida, o número de instrutores vem sendo reduzido gradativamente.

“São profissionais cada vez mais raros, até porque o trabalho é bastante desgastante. Por isso, muitos fazem o curso para se tornar instrutor e acabam se inscrevendo em concursos públicos para serem motoristas de órgãos públicos, que remuneram melhor”, destaca.

Como consequência, os profissionais que permanecem neste ramo de atividade acabam sendo sobrecarregados. Na maioria dos casos, eles cumprem jornada de sete horas e 20 minutos e quase todos realizam horas extras.

“Eu mesmo faço das 7h às 19h, mas conheço instrutores que, por opção, prolongam até as 21h30. É cansativo, mas todos sabem que este é um bom momento para quem quer ganhar algum dinheiro”, pondera o instrutor Régis Anderson Garcia.

 

Espera chega a uma semana

Instrutores com agendas cheias seriam, em tese, sinônimo de alunos com dificuldades para conseguir iniciar as aulas práticas depois de se submeterem aos exames exigidos pela Ciretran. Mas, apesar da alta procura, alunos consultados pela reportagem afirmaram que não tiveram de esperar mais do que uma semana para começar os treinos ao volante.

“Depois que fiz a prova teórica, o exame médico e psicotécnico, não demorou muito e já comecei a fazer as aulas práticas. Foi rápido”, comenta o operador de máquina Rodrigo Martins dos Santos, 30 anos. Ele já possui Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para carro e, agora, se prepara para obter licença também para guiar motos. “Meu patrão ofereceu uma moto para eu usar no trabalho, então corri para tirar carta”, revela ele, que só deverá fazer a prova no ano que vem, já que ainda está em sua primeira aula.

A operadora de caixa Juliana Patrícia Cândido dos Santos, 18 anos, também conta que não esperou muitos dias para iniciar as aulas. “Foi bem rápido. O que demora é concluir todas as aulas até estar pronta para a prova”, conta ela, que, mesmo grávida de 8 meses, pretende fazer exame para obter carteira de carro e moto.

De acordo com sua instrutora, a proprietária de autoescola Lucineia Plana, a demora só não é maior porque a empresa não aceita quantidade de candidatos além de sua capacidade de atendimento. “Não fazemos o aluno esperar. Quando ele esta apto para começar as aulas práticas, já agendamos todas as 20 antes de começar. Geralmente, a gente faz duas aulas seguidas por dia, dia sim dia não”, frisa.

Para obter a CNH de moto ou de carro, o custo médio gira em torno de R$ 900,00. Para conseguir a habilitação de ambos os tipos de veículo, o custo chega a R$ 1,5 mil.