09 de julho de 2026
Geral

Entrevista da Semana: Cláudia Giovanini Noronha Ribeiro Siscar

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 7 min

Amiga da boa música

Coordenadora da segunda versão do clube “Amigos da Boa Música” desde junho de 2010, a empresária Cláudia Giovanini Noronha Ribeiro Siscar herdou a paixão musical da mãe, ou melhor, da família de sua mãe.

Conhecido em Bauru pelas seis décadas de existência, o clube teve sua primeira versão no início em 1943 e foi liderado pelo professor Hélcio Pupo Ribeiro até seu falecimento, em 2002. “Inativo, o clube deixou uma enorme lacuna na vida cultural da cidade. Foi quando tive a ideia de resgatá-lo com algumas diferenças, como a inclusão de outros gêneros musicais, como jazz e MPB, por exemplo”.

Casada e mãe de um casal, a empresária é formada em direito, profissão que nunca exerceu por causa da empresa da família, a Cinema 1, negócio que atende praticamente todo o Estado de São Paulo e é voltado para o ramo de home theater e casa inteligente. “Fazemos a consultoria dos sistemas, acompanhamos a obra, vendemos os produtos e entregamos instalados e funcionando”.

Além da música, o cinema e as orquídeas são paixões da entrevistada de hoje. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista que ela concedeu ao JC.  


Jornal da Cidade - Além de ser uma adepta da boa música, você toca algum tipo de instrumento?

Cláudia Giovanini Noronha Ribeiro Siscar - Quando criança eu tentei tocar piano, mas não dei continuidade às aulas. Na verdade, minha mãe me enchia de atividades por eu ser muito arteira. Também nessa época eu joguei tênis, fiz natação e aulas de pintura em tecido, telas, porcelana... Tudo isso porque minha mãe tentava fazer de mim uma criança mais quieta. O que não deu muito certo! (risos)


JC - E você deu continuidade a alguma dessas atividades?

Cláudia - O que ficou mesmo foi a pintura, algo de que eu gosto muito. Eu só não pinto mesmo por total falta de tempo, sinto até falta dessa atividade. Se eu tivesse tempo, certamente me dedicaria a tal arte.


JC - O que marcou a sua infância em Penápolis?

Cláudia - Foi uma época muito gostosa. Mas o que me marcou mesmo foi o fato de sempre ter artistas em casa. Meu pai sempre foi uma pessoa muito ativa e ele foi o diretor do Clube Atlético Penapolense por muitos anos. Foi lá que eu passei parte das minhas tardes de brincadeiras. E, por ser o diretor do clube, meu pai organizava as festas, bailes, teatros e tudo o que lá havia. Não sei exatamente o porquê, mas os artistas que passavam pela cidade acabam hospedados em minha casa. 


JC - Imagino que isso era uma festa para você.

Cláudia - Nossa, e como era. Imagine uma criança de 5 ou 6 anos vendo um artista da TV em casa. Eu ficava tietando, querendo fazer sala, agradar... Para você ter ideia, eu fazia doces e fazia questão de oferecer para aquelas pessoas. Lembro-me da Maria Della Costa e de muitos outros artistas que se hospedaram na nossa casa. Foi uma fase muito gostosa e diferente.


JC - E quando você veio para Bauru?

Cláudia - Eu tinha 11 anos de idade. Meu pai trabalhava no Banco do Brasil e minha mãe era professora quando nos mudamos para a cidade. Foi uma fase difícil porque eu tive que me afastar dos meus amigos de Penápolis. Mas, como toda criança inquieta, eu me adaptei fácil e logo fiz novas turmas de amigos.


JC - O gosto pela música erudita é uma herança de família?

Cláudia - Sim. Minha mãe sempre gostou muito de música erudita, e isso é uma questão de família, da família da minha mãe. Inclusive, um dos fundadores do clube “Amigos da Boa Música” é tio da minha mãe, e junto com o professor Hélcio Pupo Ribeiro fez as primeiras audições do clube. Eu cresci em um universo musical bem diversificado, já meu pai gostava de boleros, MPB, Jovem Guarda, tangos... Foi uma mescla muito grande e interessante.  


JC - E quando você se viu inserida no “Amigos da Boa Música”?

Cláudia - Eu fui algumas vezes à casa do professor Hélcio e adorei o que vi e ouvi, porque as audições feitas por ele eram muito interessantes. Ele tinha uma maneira inigualável de abordar e explicar os assuntos. Depois que ele faleceu, eu já tinha uma boa sala montada com equipamentos de áudio e vídeo por causa da Cinema1, e as pessoas que vinham conhecer o showroom achavam uma pena o espaço servir apenas para os clientes. Fiquei pesando sobre a possibilidade de abrir a sala para outras pessoas até que tive a ideia de retomar o clube que até a morte do professor Hélcio estava inativo.


JC - Conte um pouco da história do Clube.

Cláudia - Ele teve início em 1943 e por 60 anos foi liderado pelo saudoso professor Hélcio, que fez mais de duas mil audições semanais em sua residência. Com o falecimento do professor, em 2002, os membros não se reuniram mais, o que deixou uma enorme lacuna e imensa saudade na vida cultural bauruense.


JC - Como você avalia esta segunda versão do clube?

Cláudia - Eu acho que é um sucesso de público e crítica e tem lotação máxima em todas as audições, até com excedente de interessados na lista de espera. Há um público fiel que comparece em praticamente todas as reuniões e um número considerável de pessoas de todas as idades que se alternam nos eventos. Já somos cerca de 60 membros e nos reunimos uma vez por mês na nossa sala chamada Cinema 4D, da Cinema 1. 


JC - Há diferenças entre essa nova versão e a versão original?

Cláudia - O repertório privilegia a música erudita enfatizando as obras dos grandes compositores. A principal diferença desta segunda versão é a inclusão de outros gêneros musicais na apresentação, como clássicos das grandes orquestras, jazz, shows diversos, musicais da Broadway, bigbands, MPB e outros gêneros expostos com o intuito de agradar a maior quantidade possível de ouvintes. Há também a exibição de ballets, óperas e concertos exibidos nos principais teatros mundiais. Já as audições duram, em média, duas horas.


JC - Como teve início a sua carreira profissional?

Claúdia - Eu fiz faculdade de direito, mas nunca cheguei a exercer. A empresa começou com meu marido e, paulatinamente, ele foi derivando os negócios para a área de áudio e vídeo nessa questão de projetos de home theater. E eu comecei ajudando na parte operacional, administrativa e financeira até que fui aprendendo a lidar com os equipamentos porque isso me interessa, já que sempre gostei muito dessa área. Tomei gosto pelo negócio e hoje em dia a gente praticamente divide as responsabilidades meio a meio. Eu fico com as vendas e ele com a parte técnica.    


JC - Você cita o cultivo de orquídeas com um hobby.

Claúdia -  Isso também é herança de família. Eu gosto muito de orquídeas porque o meu avô, José Giovanini, era orquidófilo e fazia parte do Círculo Bauruense de Orquidófilos. Lembro-me que ele tinha uns 600 vasos de plantas na casa dele e não faltavam flores das mais variadas cores e tamanhos em todos os cômodos. Vejo uma orquídea e a lembrança dele me vem à memória. 


JC - Qual é o papel da família na sua vida?

Claúdia - A família é fundamental. Eu tive pais maravilhosos. Minha mãe ficou viúva recentemente e os dois sempre foram e ainda são muito importantes para mim. Eu prezo muito a união familiar. Meus filhos estão vivendo em São Paulo e eu estou sentindo muito essa coisa da casa vazia. É estranho chegar e não tê-los por perto. Eu fui mãe bastante cedo, aos 19 anos, e sempre desejei a maternidade por gostar muito de crianças. Acho até que se eu não trabalhasse nesse ramo, eu trabalharia com crianças, e crianças pequenas. Essa é outra paixão minha. Hoje eu me sinto jovem e tenho filhos adultos. É uma experiência muito gostosa.      


Perfil

Nome: Cláudia Giovanini Noronha Ribeiro Siscar

Idade: 46 anos

Local de Nascimento: Penápolis/SP

Signo: Câncer

Marido: Roberto Siscar Júnior

Filhos: Tiago e Tatiana

Hobby: Cultivo de orquídeas, cinema e música

Livro de cabeceira: “A empresa de Corpo, Mente e Alma”, mas também gosto muito das obras de Roberto Shinyashiki, principalmente do livro “Problemas? Oba!” 

Filme preferido: “A Vida é Bela”

Estilo musical predileto: Gosto de música boa, de música que eleva a alma e traz felicidade

Time: Vejo os jogos da Seleção Brasileira de Futebol 

Para quem dá nota 10: Aos empreendedores

Para quem dá nota 0: Para as pessoas pessimistas

E-mail: claudia@cinema1.com.br