08 de julho de 2026
Geral

Jardinagem tem efeito terapêutico

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

No lugar das sessões no consultório e das caixas de medicamento, o prazer de montar e cuidar de um belo jardim. Esta tem sido a receita que ecopaisagista Góia Ferreira ensina para seus clientes e alunos para se livrar do estresse e da tensão do dia-a-dia.

Segundo ela, cuidar das plantas e dos pequenos detalhes que envolvem a produção dos jardins pode produzir milagres para a saúde e a qualidade de vida. É a chamada terapia verde. “Mas, para tanto, mais do que decorar o ambiente em que se vive, as pessoas precisam interagir com o espaço e se interessar pela evolução de suas plantas, buscar conhecimento para que elas vivam muitos anos”, comenta.

Além de ecopaisagista, Góia é professora de ecojardinagem e terapia verde há 30 anos. Defensora dos efeitos que o contato com a terra provê, ela ainda alia a prática da sustentabilidade ao seu trabalho.

“Dá para fazer jardins com cano PVC, garrafas pet ou vasos antigos e até panelas velhas que podem receber uma pintura nova e serem reaproveitados”, enumera. Faz parte também do que ela considera uma postura sustentável se dispor a aprender a entender sobre o comportamento das plantas.

“Não adianta comprar uma espécie qualquer e colocá-la em um lugar qualquer porque, fatalmente, ela irá morrer. Ela precisa do espaço certo e luminosidade certa para ter longevidade”, considera. Góia explica que são cuidados que fazem toda diferença entre o sucesso e a frustração de um projeto de jardinagem.

 

Manhã e tarde

Ela explica que, em locais onde incide o sol mais ameno da manhã, se adaptam bem as marias-sem-vergonhas, beijos-turcos, antúrios, lírios-da-paz, petúnias, brincos-de-princesa. Já os jardins posicionados em direção à luminosidade da tarde podem receber grande parte das espécies suculentas, cactáceas, moréias, floríferas e frutíferas.

E até mesmo quem mora em apartamentos tem a oportunidade de praticar a ecojardinagem, segundo Góia. Uma saída são os jardins verticais, que precisam ficar próximos a janelas ou serem dotados de lâmpadas que emitem raios ultravioletas.

De qualquer forma, vale ressaltar que os tipos de espécies a serem plantados ficam restritos. “O ideal é que sejam plantas de pequeno porte e, se ficar numa área onde venta, devem ser de folhas grossas. São indicados, por exemplo, antúrio e lírio da paz”, aponta.

Outro aspecto a ser considerado é o tipo de adubo e defensivos a serem utilizados. Dentro da ecojardinagem, eles precisam ser orgânicos, o que demanda do “aprendiz de jardineiro” a disposição para aprender também sobre quais materiais são adequados para se transformar em nutriente das plantas.

“Borra de café, casca de ovo triturada, palha de aço e prego de ferro podem ser colocados diretamente nos jardins, desde que estejam secos. Há ainda restos de vegetais e frutas, que devem passar por compostagem (decomposição sob a terra em um recipiente separado) antes de serem utilizadas”, ensina.

 

 

Envolvimento

 

Envolvimento é a tônica da ecojardinagem, segundo Góia Ferreira. Ao atender seus clientes, ela realiza uma longa entrevista para descobrir os anseios do morador, realiza um projeto personalizado e, se possível, leva a pessoa para acompanhá-la na compra das plantas. “Nesse processo, a pessoa acaba se envolvendo e descobrindo os prazeres e as vantagens da terapia verde”, frisa.

 

Outra vantagem de ter um jardim em casa é a oportunidade de colocar os filhos, desde cedo, em contato com a natureza e ensiná-los a reciclar materiais, transformando, por exemplo, garrafas pet em vasos. “Dá até para ensiná-los a fazer todo o sistema de drenagem, explicar como semear e fazê-los descobrir como as plantas, as flores e as frutas evoluem”, destaca.