Que força interior faz do homem um ser com tanta vontade de se deslocar? De procurar outros ambientes sempre que possível? Não há dúvidas de ter sido esta força a grande responsável pela distribuição humana por todo o planeta. A natureza sempre foi hostil ao ser humano, mas vencendo todos os obstáculos, ele povoou a Terra.
Esta mobilidade ainda está presente em nossas vidas e sempre a presenciamos quando, por exemplo, ocorre um feriado prolongado como o do último fim de semana. Observamos calados mais uma vez um número exagerado de veículos pelas rodovias que atravessam São Paulo e mesmo o Brasil e mais uma vez presenciamos motoristas aflitos na pressa de chegar ao destino; o desrespeito às leis de trânsito; os intermináveis congestionamentos e os trágicos acidentes.
Além de observar só nos resta concordar que há algo realmente muito grande que impulsiona as pessoas para a experiência de "mudar de ares", da fuga do hábito e da rotina. Assim, uma viagem torna-se uma decorrência dessa necessidade, e o deslocamento espacial poderá proporcionar a descoberta, a "novidade" que se busca esperando preencher um cotidiano já sem cor, sem luz, sem graça, sem nada. Ainda que não se encontre a almejada paz, sempre é bom continuar tentando.
No fundo, todos temos a impressão que o que procuramos nesta vida está para além dos muros da nossa casa, nosso bairro, nossa cidade, em suma, para além dos horizontes que podemos enxergar.
Mas será que é sempre no longínquo de outras plagas que nossa felicidade gosta de se esconder?
O mundo se organizou de tal maneira que parece não haver mais o tempo livre. Ter mais um dia livre no fim de semana é como ter um prêmio há muito sonhado. Qualquer barreira é transposta para merecê-lo: bagagens, transtornos nas estações de trem, nas rodoviárias e aeroportos, horas-sem-fim nas estradas. São raras as pessoas que ao chegarem ao destino final da viagem conseguem manter o colorido e o êxtase da opção escolhida.
Nesta busca de um novo sol por tanta gente, temos sido testemunha de toda aventura na procura de lugares onde os pensamentos, as preocupações e os problemas possam não mais a acompanhar seus donos. Ao mesmo tempo, com o segredo aveludado de quem só acompanha com o olhar, sabemos que nosso modo de viver também pode ser apenas curiosidade de quem cruza nosso território.
Talvez só o caminho da volta sussurre, que o que todos buscamos não está lá nem aqui, nem em qualquer outro lugar, mas certamente dentro de nós mesmos
Antonio Grecco