08 de julho de 2026
Ciências

Psicografia e o outro lado da vida

Alberto Consolaro
| Tempo de leitura: 3 min

Dois fetos gêmeos dialogavam no ventre: Existe vida lá fora? O outro: Tenho dúvidas, pois todos que foram nunca mais voltaram!

A existência de vida após a morte inquieta, tal como discutir vida extraterrestre. O desconhecido assusta, gera medo. A ciência tem que buscar a verdade; ela muda todo instante, pois métodos e critérios se aperfeiçoam. Toda verdade é passageira e momentânea, pois avançamos passo a passo. Verdades plenas são suspeitas!

O homem quer saber se Moisés, Jesus, Maomé e Buda existiram e procuram por sinais onde viveram. Resgatar estas informações provam aos humanos de hoje que seus escritos e mensagens são cientificamente reais. São os métodos e critérios da ciência usados para reforçar a credibilidade e solidificar a fé!

Os céticos são humanos que não acreditam em nada abstrato; tudo deve ser mensurável, palpável ou matematicamente calculado. O padroeiro dos céticos São Tomé disse: ver para crer! Os céticos são ateus, mas adoram citar seu padroeiro; estranho, muito estranho.

A busca de vida em outros planetas representa a busca de respostas: existem mundos menos e mais evoluídos que o nosso? A comprovação de vida em outros planetas induz: onde estamos na escala de evolução, somos pouco ou muito evoluídos; como faremos para evoluir mais?

Para as economias de países existem as agências avaliadoras de risco: qual seria o risco dos investidores espirituais atuarem na terra? Quem gerencia os planetas e as galáxias? Os EUA desistiram do programa espacial tripulado; explorará o espaço com satélites e sondas sofisticadas.

Existem outras formas de saber se existe vida além da morte e da terra. O espiritismo apregoa a comunicação com seres desencarnados em outros planos de evolução superiores ou inferiores. Esses seres poderiam nos ajudar a melhorar e, ao mesmo tempo, poderíamos contribuir. Para o espiritismo há vida após a morte, iríamos para outros planos em busca de aperfeiçoamento.

Na terra passaríamos por algumas provas nesta escala evolutiva e passar por algumas vidas em corpos diferentes faria parte deste processo espiritual. Mais de 60% das pessoas, independente da religião que praticam, acreditam em vida após a morte e reencarnação! O IBGE, no entanto, mostrou que apenas 2% dos brasileiros se declaram espíritas. Estranho.

Comprovação?

Na ciência, se preocupar com espíritos representa um tabu. Na Universidade Federal de Juiz de Fora, com apoio do CNPq, existe o Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde (Nupes) que coloca o Brasil em destaque internacional nessa área. Seus pesquisadores e os cientistas do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, da Universidade da Pensilvânia e da Universidade Thomas Jefferson testaram se os médiuns eram instrumentos dos espíritos nas comunicações ou seriam pessoas em transe com capacidade mental para escrever ou falar por si mesmo.

O trabalho na revista “Plos One” de 16 de novembro de 2012, liderado por Júlio Fernando Peres da USP (Neuroimaging during trance state: a contribution to the study of dissociation), revelou uma diminuição da atividade mental do médium durante o processo de psicografia, quando um espírito escreve através de sua mão. Se fosse uma atividade criada pelo próprio individuo, o suprimento sanguíneo cerebral deveria aumentar. Marcadores radioativos foram usados para mensurar o suprimento sanguíneo cerebral, via tomografia computadorizada com emissão de fóton único.

Dez médiuns brasileiros foram levados até Nova York para se submeterem a testes como psicografar e incorporar espíritos sob a análise de sofisticados aparelhos para que se avaliasse suas atividades cerebrais. Tudo sob os olhos criteriosos dos cientistas e de jornalistas, que com os aparelhos sofisticados,  acompanharam bem de perto todas as etapas.

Os níveis mais baixos de atividade cerebral durante a psicografia em comparação com escrita normal foi verificada em áreas frontais do cérebro associadas ao planejamento, raciocínio, geração de linguagem e solução de problemas. Isto indica uma ausência de consciência durante a psicografia. Além disto, a complexidade do que foi escrito não tinha relação com a cultura, experiência e textos anteriores dos médiuns.

Em outras palavras, não foram escritos pelos médiuns que apenas emprestaram as mãos, os conteúdos foram ditados pelos espíritos.

E agora?