08 de julho de 2026
Internacional

Egito: Mursi limita seus superpoderes

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Cairo - Sob intensa pressão interna, o presidente do Egito, Mohamed Mursi, concordou em limitar a aplicação dos decretos que colocaram os seus poderes acima da lei e provocaram uma onda de protestos no país.

Mursi se reuniu ontem com o Conselho Supremo de Justiça, mais alta instância judicial do país, e chegou a um acordo para conter a revolta popular com os superpoderes que assumiu por decreto no dia 22.

Após a reunião, o porta-voz do presidente disse que só questões “de soberania” ficarão imunes a revisão judicial, numa definição vaga, mas que parece indicar recuo.

“O presidente disse que tem o mais profundo respeito pela autoridade judicial e seus membros”, afirmou o porta-voz, Yasser Ali. A oposição acusa o presidente de assumir poderes autocráticos, menos de dois anos depois dos protestos que levaram à queda do então ditador Hosni Mubarak.

Mursi afirma ter o direito de assumir os superpoderes temporariamente, para garantir a transição.

Em seis dias, confrontos já deixaram um morto e mais de 500 feridos pelo país.

Segundo um canal de TV ligado ao governo, Mursi manterá o poder de blindar a Assembleia Constituinte de dissolução pela Justiça.

Caso confirmado nesses termos, o acordo preserva um trunfo crucial almejado por Mursi com os decretos.

A redação da nova Carta - que determinará o caráter e o sistema de governo do Egito pós-Mubarak - é o ponto central das divergências que há meses mantêm a Irmandade Muçulmana em queda de braço com o Judiciário.

Em junho, o Supremo dissolveu o Parlamento, enfurecendo a Irmandade, grupo ao qual Mursi é ligado, que controlava metade das cadeiras.  Em seguida, a Constituinte também foi dissolvida, e deputados seculares a abandonaram em protesto contra o predomínio dos islamitas.

Manifestantes da oposição estão acampados na praça Tahrir há cinco dias e prometem fazer um grande protesto no local hoje.  Não está claro se o acordo que foi negociado entre Mursi e os juízes deixará os opositores satisfeitos e reduzirá as tensões,