08 de julho de 2026
Cultura

Esbofeteando Helena

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 2 min

Tomar a cidade como palco e fazer do caos das ruas centrais a grande inspiração de suas peças. Esses são alguns dos pilares da companhia Tablado de Arruar, grupo que tem como pesquisa a relação entre o teatro e a cidade. Pela primeira vez em Bauru, a Cia traz a peça “Helena pede perdão e é esbofeteada”. A encenação inédita será apresentada ao ar livre na Praça Rui Barbosa, em frente ao Automóvel Clube, em dois horários: hoje, às 17h, e amanhã, quarta-feira, às 16h.

Em “Helena pede perdão e é esbofeteada”, a cidade vira elemento construtor do espetáculo. Com direção de João Otávio e dramaturgia de Alexandre Dal Farra – que já passou pela cidade para ministrar workshops –, a peça inova ao envolver locais públicos e seus arredores. “Fazemos a peça na praça, mas utilizamos o entorno. A gente monta um espaço cênico na calçada da praça, próximo à rua, mas a peça ‘expande’ para os lados. Os atores atuam do outro lado da rua, em estabelecimentos, param os carros, etc”, adianta o dramaturgo Alexandre, em entrevista ao JC.

Outra ideia da peça, além de interagir com o movimento urbano, é fazer paródia das narrativas padronizadas adotadas por telenovelas. Assim, a encenação se vale de um aparelho televisor instalado na rua para expor imagens da própria peça, que permitem ao espectador assistir a diferentes recortes da cena, alterando o seu olhar sobre o espetáculo.

“O formato do espetáculo está relacionado à ideia de uma verdadeira ‘destruição’ da linguagem da telenovela. Então, a gente brinca com isso. Pois nas telenovelas, sempre tem alguém que se apaixona, aí vem a traição... Nessa peça de rua queremos fazer uma paródia deste tipo de relação que aparece na telenovelas, de uma forma geral”, enfatiza Alexandre.

As cenas são filmadas, permitindo que o público assista simultaneamente a pontos de vista diversos. “O espectador tem a chance de ver a trama pela TV e, ao mesmo tempo, ao vivo, sendo produzida em sua frente”, explicou o dramaturgo.

 

A peça

Com certo tom de humor escrachado, até mesmo um pouco violento, “Helena pede perdão e é esbofeteada” aposta na história do casal Helena e Augusto, que estão em um momento de crise familiar. E, em meio à trama, Helena e seu marido são assaltados pela dupla Mary e Jack. Esses dois bandidos se revelarão ativistas políticos, que acabam por convencer o casal a fazer parte de suas ações extremistas. As vidas dessas pessoas sofrerão transformações irreversíveis no desenrolar da trama, cheia de conflitos, amores e sofrimentos.

“A intenção é questionar e parodiar a estrutura de uma narrativa melodramática, em que sempre estão presentes o mal e o bem; o bandido e o mocinho sempre têm lugares estáticos nessas narrativas. Nossa proposta é ir contra esse tipo de narrativa maniqueísta que a telenovela acaba utilizando quase sempre”, resume Alexandre Dal Farra.