08 de julho de 2026
Esportes

Seleção: Ele voltou

Agências
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CBF apostou na experiência para conduzir a Seleção na Copa em casa e Felipão vai contar com apoio de Parreira

Luiz Felipe Scolari assume o comando da Seleção Brasileira após dez anos e três meses da sua primeira passagem quando conquistou a Copa do Mundo de 2002. Ao seu lado, volta outro campeão mundial, Carlos Alberto Parreira, técnico do Brasil na campanha do tetra em 1994. Parreira vai ser o coordenador técnico da Seleção - o braço direito de Felipão. Os dois serão empossados por José Maria Marin, presidente da CBF, hoje, em um hotel de luxo na zona sul do Rio de Janeiro.

Marin fechou o acordo com Felipão anteontem e programou a sua apresentação para hoje. O treinador estava em Passo Fundo (RS), desde sábado, ao lado de familiares acompanhando sua mãe, que enfrenta uma série de problemas de saúde. E retornou ontem a São Paulo a pedido do presidente da CBF. O dirigente estava com pressa para definir o novo comandante porque, a partir de hoje em São Paulo, a Fifa abre o evento do sorteio dos jogos e grupos da Copa das Confederações de 2013 e o Brasil, anfitrião do torneio, não poderia se apresentar sem o treinador da Seleção.

Fechado com Felipão, Marin também se apressou para ter Carlos Alberto Parreira no colegiado. Dono de um vasto currículo, com nove participações em Copas do Mundo desde 1970, Parreira aceitou de imediato ao chamado do presidente da CBF.

Felipão gostaria mesmo de contar com Parreira ao seu lado. E não é de hoje. Em 2010, durante a Copa do Mundo na África do Sul, o treinador recebeu o convite de Ricardo Teixeira, na época presidente da CBF, para suceder Dunga no comando da Seleção. Luiz Felipe Scolari aceitou, mas pediu ao cartola para Parreira ser o coordenador técnico. Teixeira não concordou e Felipão preferiu declinar do convite.

Dois anos depois, os dois se encontram e agora com amplos poderes no comando do time nacional. Marin optou pela dupla para dar lastro à Seleção. O dirigente entendia que Mano Menezes não tinha a menor empatia para conduzir a equipe ao título em casa. Com dois campeões mundiais à frente do projeto, avalia Marin, o Brasil ganha peso para a difícil missão de levantar a taça, no Maracanã, na final do Mundial de 2014.

 

Pragmatismo

Quem deseja ver a Seleção jogar um futebol bonito na Copa do Brasil não deve ter muitas esperanças de que isso aconteça. É um tanto exagerado imaginar que Felipão fará o Brasil jogar à base de bolas paradas, como fez no Palmeiras, já que ele terá à disposição gente muito mais talentosa do que tinha no clube paulista, mas o técnico gaúcho é daqueles que buscam o resultado acima de tudo e certamente vai montar uma Seleção forte na defesa e apostar tudo no talento de seus atacantes, principalmente Neymar.

 

Andrés Sanchez fora da CBF

Andrés Sanchez pediu demissão ontem do cargo de diretor de seleções da CBF dizendo que não queria ser uma “rainha da Inglaterra”, mas o que ele não disse é que pretende se tornar uma pedra nos sapatos da dupla José Maria Marin e Marco Polo del Nero. O ex-presidente do Corinthians tem reais pretensões de assumir o comando da entidade e vai, a partir de agora, tornar-se oposição aos atuais comandantes.

A queda de Andrés teve vários motivos. O principal deles foi o fato de ter sido nomeado para a CBF, pouco mais de um ano atrás, pelo ex-presidente da entidade, Ricardo Teixeira. Desde que assumiu o poder, em março deste ano, Marin, incentivado por Del Nero, afastou da entidade diversos funcionários, de vários escalões, ligados ao antecessor. O então diretor de seleções e o técnico Mano Menezes foram “limados” por conta dessa “filosofia”.

O jeito intempestivo de Andrés Sanchez também não agradava, mas outro motivo também pesou: a tentativa de Marin de se aproximar da presidente Dilma Rousseff. O plano pode não dar certo. Dilma jamais tolerou Ricardo  Teixeira e Marin também não lhe é muito simpático, por ter servido ao governo militar. Tem evitado uma aproximação e encarregou o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, de tratar dos assuntos que têm a participação da CBF. O mesmo vale para o Comitê Organizador Local (COL), em eventos que tem a presença de Marin.

O presidente da CBF se desdobra para tentar se aproximar. Nesta quarta, por exemplo, na entrevista que abriu as atividades da Fifa para o sorteio da Copa das Confederações, Marin sentou-se ao lado de Rebelo e, ao falar, reservou agradecimentos para a “grande integração entre CBF e COL com o governo federal”. O problema é que Andrés Sanchez e aliado do ex-presidente Lula - que tenta até colocá-lo na secretaria Municipal de Esportes de São Paulo - e vai trabalhar para evitar uma aproximação de Marin com Dilma.

Em outra frente, pretende alicerçar sua candidatura à eleição da CBF que ocorrerá em 2014. Para isso, pretende usar seu prestígio com alguns presidentes de clubes e também cortejar presidentes de federações, estes atualmente bastante paparicados pela dupla Marin/Del Nero. Andrés não engole a fritura a que foi submetido e a humilhação de apenas ter sido ouvido na demissão de Mano Menezes - apenas foi comunicado. Mais do que isso, ficou irado ao saber que a cúpula da CBF conversava com Felipão nas suas costas.

 

Prova de fogo

Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, mas é evidente que Luiz Felipe Scolari não acredita nisso. Em 2001, ele assumiu o comando da Seleção Brasileira em um momento horroroso para o time nacional, que corria risco de não ir à Copa do ano seguinte. Pouquíssima gente apostava que o gaúcho seria capaz de arrumar a casa e levar o Brasil ao título mundial no Japão e na Coreia do Sul, mas foi exatamente isso o que ele fez. Agora que a Seleção está de novo em crise, e poucos creem que seja possível arrumar a casa até o Mundial do Brasil, daqui a um ano e meio, Felipão aparece para tentar repetir a dose.

A receita que o treinador vai tentar usar em sua segunda passagem pela Seleção deverá ser a mesma que deu certo na primeira. Ou seja: escolher jogadores em quem confia e formar com eles um elenco coeso, em que todos rezam por sua cartilha. E não se deve esperar por grandes transformações na maneira de jogar da Seleção, já que o ponto mais forte de Felipão é mesmo a sua habilidade como motivador.

A principal diferença entre a Copa de 2002 e a de 2014 é que o próximo Mundial será disputado no Brasil - o que é uma grande diferença, diga-se de passagem. Assim, Felipão usará a experiência que adquiriu na Eurocopa de 2004, sua primeira grande competição como técnico de Portugal, país que organizou aquela competição.

Apostando em seu carisma, o treinador pediu aos portugueses que colocassem para fora o amor pela pátria e apoiassem o time, e foi exatamente isso o que aconteceu. Durante a disputa do torneio, bandeiras de Portugal estavam por toda a parte e o país foi tomado por um clima festivo poucas vezes visto em sua história. Só faltou o título, que não aconteceu por causa de uma surpreendente derrota para a Grécia na final.

Felipão sabe que a torcida brasileira exige demais da Seleção - e não tem muita paciência quando ela não mostra um bom futebol. Por isso, vai tentar ganhar os torcedores do mesmo jeito que fez em Portugal. Ele espera criar um clima de união no Brasil durante a Copa do Mundo, porque seria péssimo para a Seleção ser vaiada em casa na mais importante competição do futebol.