Durante a minha campanha a vereador de Bauru, estive em alguns lugares, não todos, mas interessantes, raros e intrigantes! Houve um sábado em que fui ao Calçadão e recebi da mão de um jovem universitário um folheto com os seguintes dizeres: "Revitalização do Parque Vitória Régia", sábado, dia 22 de setembro, das 9h às 17h, evento social, cultural, educativo, idealizado por alunos da Faculdade de Engenharia da Unesp!
O futuro engenheiro não percebeu, mas com o sonho no papel, chorei, chorei por Bauru, por acreditar nos jovens, por ver alguém amando a Sem Limites! E no sábado, dia 22, conforme o prometido e o divulgado, lá estavam os universitários e simpatizantes remodelando, revitalizando a obra-prima de Jurandyr Bueno Filho, o Parque Vitória Régia, no Projeto intitulado "Ao vivo e em cores", o cartão-postal de Bauru emergia!
No entanto, dias depois, o Vitória Régia estava pichado, manchado, imaculado, parecia que nossa casa havia sido adentrada por estranhos, vinha à tona a discussão se teria valido a pena o esforço dos jovens da Unesp, por que não havia seguranças no local, por que uma iluminação tão sorumbática, por que o respeito perde para o despeito? Por que o projeto tornou-se dejeto, por que o sonho fez-se medonho,s eria uma metamorfose em Derrota Régia?
Os acordes do parque não eram de Domingo no Parque, de Gilberto Gil, eram mutantes que com atos sórdidos de uma súcia que, com pior astúcia, destruiu a Construção que poderia ser de Chico Buarque: "Pichou o Vitória Régia como se fosse o único, manchou a cidade como se fosse a última, pensou que grafitasse uma arte lúdica, sonhou em ser ouvido no seu grunhido tímido... Vitória Régia finou-se como se fosse sábado..."
Até quando os pichadores sairão ilesos, sem passar por repressões ou aulas de cidadania? Seria a pichação uma forma de protesto do ser "kafkiano" objeto inseto sem gesto: "Picho, logo existo!"? Quereria o pichador existir e ser ser? Gritar palavras no borrifar, emitir o eco de um indivíduo boneco? Aspiraria a ser ouvido de alguém que nunca é todo ouvidos para esse ser que é nada? Li que uma socióloga em São Paulo, capital, entrevistou delinquentes acusados de furtos, ratoneiros de celulares, bicicletas, tênis de marca. A resposta mais incidente foi a de que esses gatunos queriam ter os que os outros privilegiados tinham, ou seja, roubavam porque não possuíam os mesmos objetos daqueles sujeitos!
O Caminho não é suave, os "pichadores" estão no trânsito com suas onomatopeias de baixo calão, nas suas buzinas ininterruptas por um abrir de semáforo, estão na fila dos bancos que os fazem reféns na espera, se houvesse legendas ou balõezinhos, os impropérios seriam divulgados e pichação estaria por toda parte, no entanto, esses pichadores merecem uma lição, uma lição de vida, de respeito, de saberem que têm direito ao dever de respeitar, conscientizarem-se ou serem conscientizados de que a cidade é também deles, que é mesmo Sem Limites, sem limites de indiferenças, sem limites de desprezo, que o Parque de Gil ou o Régia é de José, de João, de Juliana, de todos os nomes, como disse mestre Saramago e que somente será Vitória na igualdade e que a pichação seja tão somente tão intrínseca, dentro dos muros de cada ser, de seus membros manipulados por membros de uma sociedade igual, unida e feliz cidade Bauru!
Aos idealizadores da revitalização do Parque Vitória Régia, em especial aos alunos da Faculdade de Engenharia, implora-se o inigualável e que reeditem o Projeto "Ao vivo e em cores", pois "Viver é preciso, pichar não é preciso!"
Prof. Sinuhe Daniel Preto - Ainda crendo que as criaturas são críveis!