Londres - Em relatório divulgado ontem, a comissão oficial que investigou o escândalo de grampos ilegais da imprensa britânica pediu a criação, por lei, de um órgão independente para regular os veículos de comunicação no país.
O chamado inquérito Leveson foi motivado pela revelação de que o tabloide dominical “News of the World”, do magnata Rupert Murdoch, interceptou ligações de pessoas comuns e celebridades para fazer reportagens. A imprensa britânica não se subordina a qualquer lei desde o século XVII.
O relatório divulgado ontem chama de ineficaz o órgão de autorregulação atual, a Press Complaints Comission (comissão de queixas sobre a imprensa). Segundo o texto, o órgão protege os veículos de comunicação e não dá andamento às reclamações que recebe. O primeiro-ministro David Cameron, do Partido Conservador, indicou ao Parlamento que é contra a criação de uma lei a respeito do assunto - principal proposta do inquérito, que durou 16 meses.
“Devemos ter cautela com qualquer tipo de legislação que tenha o potencial de afetar a liberdade de expressão e de imprensa”, disse.
Seu vice-premiê, o liberal-democrata David Clegg, e o líder da oposição, o trabalhista Ed Milliband, apoiaram o relatório.
O Parlamento terá que decidir se o relatório será ou não implementado. O lorde Leveson, que conduziu o caso, fez duras críticas ao comportamento da mídia britânica.
“Houve diversas vezes em que, à procura de histórias, partes da imprensa agiram como se seu próprio código, escrito por eles mesmos, simplesmente não existisse. Isso causou sofrimento e, eventualmente, arrasou a vida de pessoas inocentes, cujos direitos e liberdades foram desprezados”, afirmou Leveson.
O caso que deu início ao inquérito foi o da garota Milly Dowler, que desapareceu em março de 2002 e teve o corpo encontrado após seis meses.
Nesse intervalo, repórteres do “NoW” invadiram a caixa postal do telefone celular dela e apagaram diversas mensagens, dando esperança à família e à polícia de que a menina poderia estar viva.