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Sergio Moraes / Reuters |
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A parceria entre Felipão e Parreira foi exaltada na coletiva. |
Luiz Felipe Scolari foi confirmado ontem como o novo técnico da Seleção Brasileira. Com a experiência de ter sido pentacampeão mundial há dez anos, ele foi contratado pela CBF para substituir Mano Menezes, demitido na semana passada, e terá a missão de comandar o Brasil em busca do hexa na Copa do Mundo de 2014. Junto com ele chega o tetracampeão Carlos Alberto Parreira, que será coordenador. Ambos foram apresentados pelo presidente da CBF, José Maria Marin.
Em sua primeira entrevista coletiva, Felipão já mandou um recado claro ao assumir o cargo. Segundo ele, o Brasil tem “obrigação” de conquistar o título do Mundial por estar jogando em casa. “É bom que fique claro: temos a obrigação, sim, de buscar o título. Hoje, não somos favoritos, mas pretendemos nos tornar favoritos. Vamos trabalhar para isso”, afirmou.
Atualmente com 64 anos, Felipão evitou fazer muitas comparações com a sua primeira passagem pela Seleção. “Me sinto mais motivado, mais jovem, em condições de assumir o cargo. Acho que as dificuldades podem ser um pouco diferentes, mas são parecidas”, avaliou o treinador.
Para ajudar, ele já tratou de pedir o apoio do torcedor brasileiro nessa caminhada até o Mundial de 2014. “A ideia é fazermos novamente uma composição, em um ambiente em que haja envolvimento entre a Seleção e a população para chegarmos confiantes na Copa”, disse Felipão.
Ao falar sobre seus planos para o time, Felipão disse que irá promover uma sequência natural do trabalho feito até agora por Mano Menezes, mas que, aos poucos, vai implantando seu estilo. Ele aproveitou para defender a jovem geração do futebol brasileiro, especialmente Neymar. Sem adiantar nomes de possíveis convocados, Felipão revelou que tentará mesclar juventude e experiência no grupo brasileiro. “A Seleção é jovem, mas tem outros jogadores experientes que podem dar sua contribuição. E fazer com que a Seleção não seja tão jovem”, explicou.
A estreia de Felipão no cargo será no dia 6 de fevereiro em amistoso contra a Inglaterra, no estádio de Wembley, em Londres. “Será muito bom jogar lá”, disse o treinador. Depois, o Brasil ainda deve fazer mais quatro jogos antes da Copa das Confederações em junho. Dois amistosos já estão marcados, ambos em junho. No dia 2, o Brasil enfrenta a Inglaterra, no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. No dia 9, será a vez de jogar contra a França, no Mineirão, em Belo Horizonte. E a CBF ainda tenta usar as duas datas reservadas pela Fifa em março para jogos de seleções.
Agradecimentos
Mesmo com os bons resultados conseguidos nos últimos compromissos com Mano Menezes, Marin entendeu que a Seleção precisava de um treinador mais experiente e, como ele próprio disse, com um “perfil vencedor” para jogar em casa a Copa das Confederações de 2013 e o Mundial de 2014. Assim, demitiu o técnico na última sexta.
Mas o dirigente não deixou de agradecer o trabalho do ex-treinador da Seleção e do ex-diretor de seleções, Andrés Sanchez, que entregou o cargo (agora extinto) anteontem. “Ao meu amigo Andrés Sanchez, um agradecimento. As portas da CBF sempre estarão abertas. Ao Mano, a sua comissão, ao Sanchez, desejo felicidades a eles e insisto: portas abertas”, discursou Marin.
Parceria com Parreira é exaltada
Os dois últimos campeões mundiais do futebol brasileiro vão trabalhar juntos na Seleção. Para o pentacampeão Luiz Felipe Scolari, contratado pela CBF para substituir o técnico Mano Menezes, será um prazer e um privilégio formar essa nova parceria com o tetracampeão Carlos Alberto Parreira, que assumirá a função de coordenador.
Durante a entrevista coletiva ontem, no Rio de Janeiro, quando a contratação dos dois foi anunciada oficialmente, Felipão tratou de exaltar a parceria com Parreira, dizendo que o novo coordenador da Seleção lhe dará um apoio fundamental para exercer seu trabalho como técnico. E minimizou eventuais diferenças de estilo entre eles.
“Muitas vezes quando a gente tem alguém do lado em que possamos nos apoiar, podemos experimentar uma ideia que em outras oportunidades ficaria receoso. Com ele, poderemos analisar uma coisa diferente. Com seu aval, a situação vai ficar mais tranquila. Os estilos vão se fundir e serão adaptados de forma muito legal”, afirmou Felipão.
Com a experiência de ter sido um técnico vitorioso no passado, Parreira explicou qual será seu papel como coordenador. “Vamos trocar ideias, conceitos e é claro que vou me sentir útil na medida em que possa auxiliar, dar incentivos, discutir nossos pontos de vista diferentes. A decisão final sempre caberá ao treinador”, avisou.
Agora, depois da definição dos dois principais nomes, começa a formação da nova comissão técnica da Seleção. Felipão já adiantou os primeiros escolhidos: o auxiliar Flávio “Murtosa” Teixeira, com quem trabalha quase a carreira inteira, e o preparador físico Paulo Paixão. Também afirmou que gostaria de contar novamente com a psicóloga Regina Brandão.
Ronaldo na CBF?
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, considera positiva a possibilidade de Ronaldo vir a ser candidato à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em 2014, quando acaba o mandato de José Maria Marin. O ex-atacante ainda não deu sinal claro de que planeja se candidatar, mas, para Blatter, seria um bem para o futebol brasileiro se isso acontecesse.
“Eu não sei se o Ronaldo tem essa pretensão, mas com certeza, com a experiência que ele tem, ficaria muito bem se um jogador de futebol estivesse no topo da entidade”, disse Blatter, em encontro com jornalistas brasileiros ontem, no Anhembi, em São Paulo. Para o dirigente suíço, é sempre salutar quando um antigo astro dos campos passa a dedicar sua energia para o bem do futebol fora dele.
Estrangeiro nunca foi plano
O presidente da CBF, José Maria Marin, disse ter consultado alguns companheiros da diretoria da CBF e alguns presidentes de federações estaduais para escolher Felipão e Parreira. “E a opinião (favorável) foi unânime”, revelou o dirigente, que chegou a elogiar outros treinadores que eram candidatos ao cargo. Ao citar Tite, ressaltou que era importante acabar com especulações para não tirar o foco do Corinthians na disputa do Mundial de Clubes. E ao falar de Muricy Ramalho, disse não querer desfalcar o Santos.
Sem citar o nome de Guardiola, que chegou a ser especulado como um dos candidatos ao posto, Marin descartou a ideia de um treinador estrangeiro na Seleção. “Felizmente, nosso País tem um número muito grande de técnicos competentes, dedicados e merecedores de ocupar esse cargo”, justificou o dirigente. “Estou com a consciência tranquila e, assim como o torcedor brasileiro, eu tenho certeza absoluta que os dois (Felipão e Parreira), pelo passado, pela capacidade e acima de tudo pelo respeito, irão corresponder plenamente a nossa confiança”, afirmou.
Marin admitiu ter sofrido pressão da Fifa para antecipar o anúncio do novo técnico da Seleção Brasileira, que foi feito ontem, com a confirmação da contratação de Luiz Felipe Scolari. Ao demitir Mano Menezes na última sexta, Marin tinha anunciado inicialmente que o novo técnico seria revelado apenas em janeiro. Mas ele foi pressionado pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter. Em São Paulo, onde participará do sorteio da Copa das Confederações amanhã, Blatter admitiu ter pressionado o presidente da CBF. “Se há uma seleção nacional, tem de haver um treinador. No momento em que o técnico da Seleção Brasileira (Mano Menezes) não está mais na ativa, tem de nomear outro treinador imediatamente”, disse.