08 de julho de 2026
Regional

Liminar dá fôlego a Camargo

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Pederneiras - O juiz eleitoral de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), Sérgio Augusto de Freitas Jorge, negou ontem o pedido de liminar  para anular votos e cassar o registro do prefeito eleito, Daniel Pereira Camargo (PSB). Acusação: suposto abuso do poder político, econômico e crime eleitoral.

O pedido havia sido feito por quatro partidos políticos, o candidato tucano a prefeito José Eduardo Cury Salemme, o “Zé da Purina”, e o vereador Joanilce Pranas, o “ Joãozinho da Farmácia” (PSDB), na 86ª Zona Eleitoral da Comarca de Pederneiras, nesta segunda.

Conforme apurado pelo JC, como a Ação de Investigação Judicial é minuciosa e visa apurar diversas denúncias envolvendo também a atual prefeita Ivana Maria Bortolini Camarinha (PV) e Durvalina Simões Nabi - diretora de Divisão de Ação Social - o indeferimento da liminar possibilita outra fase no processo: que as partes prestem esclarecimentos à Justiça.

Os acusados devem ser intimados até esta segunda-feira e estes relatos também serão juntados à ação, que possui diversos volumes. O prazo para apresentação depois da intimação é de cinco dias.

 

Gravações

Conforme noticiado ontem pelo JC, na ação foram anexadas gravações ambientais de funcionários da administração, que tiveram o objetivo de comprovar um esquema para entrega de cesta básica sem pré-requisitos, em plena campanha eleitoral de Daniel Camargo.

As gravações mostram conversas de funcionárias do Centro de Referência e Assistência Social (Cras) dizendo que não era para negar pedidos de cestas básicas a ninguém por conta do período eleitoral. Estes pedidos deveriam ser emergenciais.

“Não é pra cortar nada”, dizia uma voz ao fundo. “Pra falar a verdade do povo... Até acabar a política”, disse uma funcionária. “Ligaram do gabinete mandando entregar”.

Notas também dão conta do aumento de cestas básicas entregues em 2012. Respectivamente, de janeiro a outubro, foram: 96, 93, 121, 101, 176, 161, 204, 216, 198 e 205. Os autores da ação de investigação pedem à Justiça para tomar os depoimentos dos funcionários do Cras - psicóloga Fabiana Maldonado, assistente social Letícia Calabrizi Lobato e agente social Matheus Alex Orefece - que teriam admitido a distribuição de cesta básica sem critério técnico.

A chapa do eleito também é acusada de não prestar contas sobre algumas despesas. Os supostos envolvidos já informaram que só devem se pronunciar após intimação.