11 de julho de 2026
Política

Sindicato recolhe da categoria, porém não paga cartão de crédito

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Se não bastassem as incertezas que assolam boa parte dos funcionários do Hospital de Base (HB), os trabalhadores dos estabelecimentos de Saúde de Bauru, associados ao sindicato que representa a categoria, foram pegos de surpresa por mais uma dificuldade e estão com seus cartões de crédito bloqueados. A suspeita, bastante grave, é de que a entidade não tenha repassado o pagamento dos débitos à empresa conveniada Sorocred. A situação se torna ainda mais complicada com o racha da diretoria do sindicato como pano de fundo.

Por conta do convênio, os trabalhadores têm descontado os gastos com o cartão na própria folha de pagamento. Ou seja, já pagaram suas ‘faturas’. Este dinheiro é repassado pelos empregadores ao Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Bauru (Seessb), que deve repassar o montante à Sorocred.

É justamente isso que a vice-presidente do sindicato, Sandra Regina dos Santos Botasim, diz não ter ocorrido. Ela faz parte do grupo de oposição à presidente Vera Lúcia Salvadio Pimentel e diz que não conseguiu obter esclarecimentos oficiais pela direção da entidade. No entanto, afirma ter recebido a informação por meio da gerência comercial da Sorocred em Bauru.

O Jornal da Cidade entrou em contato com a empresa, que confirmou a não efetuação do pagamento da fatura pelo Seessb. A Sorocred informa que, como todas as instituições do ramo, bloqueia os cartões com débitos. No entanto, ponderou que há a previsão de recebimento para esta sexta-feira e desbloqueio dos cartões dos trabalhadores de estabelecimentos de Saúde a partir da próxima segunda-feira, mediante a quitação das pendências.

Questionado pela reportagem, o sindicato não confirmou a falta de pagamento à Sorocred. O advogado que representa a entidade, Sérgio Luiz Ribeiro, diz que a presidente e a tesoureira estão em viagem e que, hoje, passará informações precisas sobre o caso.

Ele ressaltou, porém, que todos os convênios firmados pela Seessb – inclusive com a Sorocred – estão sendo submetidos a uma auditoria independente por conta de denúncias de irregularidades em gestões anteriores. “Os trabalhos estão em andamento”, frisou.


Constrangimento

Funcionária do Hospital Estadual, Vera Lúcia Alexandre de Oliveira é uma das vítimas do bloqueio do cartão e, principalmente, da falta de comunicação do sindicato em relação a seus associados. Na última quarta-feira, ela precisou deixar suas compras no supermercado ao ter recusado o pagamento com o cartão da Sorocred. “Foi um constrangimento muito grande”, conta.

Na semana passada, a mesma situação já havia acontecido. No entanto, como a primeira compra era de menor valor, ela conseguiu pagar com dinheiro. “Dessa vez, não dava. O pior é saber que os meus gastos foram descontados da folha e eu tinha saldo de mais de R$ 400,00. Ainda não recebi meu vale refeição”.

A dispensa de alimentos e a geladeira da casa de Vera já sofrem reflexos. “Faltam algumas coisas, como leite e carne. Hoje mesmo [ontem], tive que fazer omelete para o almoço”, lamenta. Além de auxiliar de enfermagem, Vera Lúcia é membro do Conselho Fiscal do Seessb.

 

Disputa por poder na entidade já é antiga

Existe uma briga interna na diretoria do sindicato. Em setembro, a presidente Vera Lúcia Salvadio Pimental afastou parte dos membros de seus cargos, que conseguiram reassumi-los mediante liminar judicial. Uma audiência deve acontecer na semana que vem para discutir o caso. A justificativa para a medida da presidente seria a existência de irregularidades – até hoje ainda não apontadas. O argumento é de que o afastamento viabilizaria as investigações.

É preciso lembrar, porém, que, em julho, foi entregue a Salvadio abaixo-assinado com cerca de 100 assinaturas pedindo seu afastamento imediato. No texto, eram alegadas posturas inadequadas e distantes de Vera Lúcia em relação à categoria. O advogado do sindicato, Sérgio Luiz Ribeiro, questiona a validade do documento que, segundo ele, é apócrifo, pois as assinaturas não são passíveis de identificação.

Após esses fatos, a presidente do sindicato contratou seguranças que ficam na sede da entidade, o que também gerou críticas de associados.


R$ 20 mil só de uma servidora

Outra denúncia apresentada pela ex-presidente e conselheira fiscal do Seessb, Marilsa Sales Braga, é de que a entidade vem bancando os débitos com o cartão Sorocred de uma associada, membro da diretoria.

Segundo ela, por ser amiga da atual presidente Vera Lúcia Salvadio Pimentel, essa pessoa teria tido limite mensal autorizado muito acima do permitido (30% do salário). Dessa forma, ela gastaria altos valores com o cartão, mas teria debitado de sua folha de pagamento outros muito inferiores. A diferença estaria sendo coberta pelo sindicato.

De acordo com suposta apuração de débitos, a qual teve acesso o JC, essa associada teria, atualmente, R$ 19.458,23 em débitos. Dívida mais de R$ 800,00, referente a parcelamento, já estaria programada para 2013,

O advogado do sindicato, Sérgio Luiz Ribeiro, alegou desconhecer o caso e se prontificou a buscar informações a respeito nesta sexta-feira.