Fruto de um planejamento iniciado há algum tempo pela Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), conveniada com o Esquadrão da Vida e da Comunidade Bom Pastor, a Casa de Passagem irá atender usuários de crack e de outras drogas. Todos são unânimes em reconhecer como importante a iniciativa que tenta minimizar os problemas de dependência química, mas moradores admitem que a unidade não deveria ser em área urbana.
O bancário aposentado Ismael Moreira mora na mesma casa há 30 anos e admite que está inseguro com a instalação da Casa de Passagem perto de sua residência. “Fico com receio pela segurança na rua, temos várias escolas por perto, além de desvalorizar o imóvel”, revela.
Já para a moradora Liomar Hernandes Pascoal, o fato de a instalação ser na cidade a intrigou. “Pensei que eles preferissem ficar em lugares afastados, achei estranho ser em frente a uma escola, mas não discrimino, pois acredito que as crianças nem vão perceber que se trata de uma casa para atender dependentes quimícos”, conta.
O diretor e fundador do Esquadrão da Vida, Edmundo Muniz Chaves, abriu as portas do estabelecimento que fica no bairro Higienópolis ao JC para mostrar a estrutura da casa que passa por últimas reformas e garantiu discrição sobre o local. “Estamos fazendo tudo dentro da lei, fechamos o contrato por três anos, a casa que antes era uma clínica atende nossos objetivos pelo fácil acesso e principalmente pelo amplo espaço”, explica o diretor.
A pedido dos moradores Chaves está subindo um muro em toda fachada da casa e colocará cerca elétrica. “Eu entendo o receio das pessoas, mas hoje em dia em nenhum lugar da cidade você está completamente seguro, estamos fazendo o possível para manter um bom relacionamento com a vizinhança”, garante.
Unidade é para ajudar usuários de drogas
Vista como a “ponte” entre o abandono na rua e a recuperação dos usuários, a secretária da Sebes, Darlene Têndolo, explica que a Casa de Passagem não se trata de albergue e sim um “passo anterior” ao Centro de Apoio Psicossocial/Álcool e Drogas (Caps/AD). “Esses locais não são para institucionalizar o usuário. Na verdade, é um primeiro-socorro. Serão dois equipamentos públicos para atuar antes da comunidade terapêutica e preparar esta pessoa”, explica a secretária.
A assistente social Eugênia Chaves diz que, quando a pessoa é tirada da rua e vai para o tratamento, ela sente muito impacto. “A Casa de Passagem é para mostrar a ela que há outra vida fora o crack”, destaca. “A Casa de Passagem é para dar uma direção a esses usuários, é uma oportunidade para ser aconselhado e refletir sobre a vida que está levando”, completa Edmundo Chaves.