Cidade do México - Enrique Peña Nieto assumiu como presidente do México ontem, oferecendo uma oportunidade de redenção para o partido que formou o país na era moderna, caso o dirigente consiga colocar um fim a anos de violência e ao baixo desempenho econômico.
Pouco depois da meia-noite (horário local), no palácio nacional, o presidente Felipe Calderón transferiu formalmente o poder ao seu sucessor, entregando uma bandeira para Peña Nieto e cumprimentando-o.
“Hoje começo a exercer o honroso ofício da Presidência”, disse Peña Nieto, que, em seguida, empossou seus ministros.
O Partido Revolucionário Institucional (PRI), de centro, volta ao poder depois de um hiato de 12 anos, e, Peña Nieto, de 46 anos, pretende usar a recente recuperação da economia para estimular um crescimento mais rápido.
Fotogênico e casado com uma atriz famosa, ele também promete restaurar a tranquilidade, depois de mais de 60 mil pessoas terem sido mortas em confrontos entre gangues de traficantes e forças de segurança, durante o mandato de seis anos de seu antecessor conservador.
“Infelizmente, isso é uma coisa que fez ou formou a imagem do México no mundo”, disse Peña Nieto durante uma viagem à Europa, em outubro. “É por isso que não há dúvida de que lidar com a ilegalidade de forma mais eficaz é uma prioridade”, completou.
Ele disse que está comprometido com a luta contra o crime organizado que dominou a presidência de Calderón, mas também frisou que seu objetivo principal é reduzir a violência.
Ajuste fiscal
Tendo ajudado a conduzir uma reforma trabalhista no Congresso, desde a sua vitória eleitoral, Peña Nieto agora quer aprovar a leis que reforcem a base fiscal mexicana e permitam mais investimentos privados na pesada e gigantesca petrolífera estatal Pemex.
Se for bem sucedido, as reformas poderão ajudar a estimular um maior crescimento e criar empregos, diminuindo o fascínio pelo crime organizado.
Como muitas das mais conhecidas instituições mexicanas, a Pemex foi uma criação do PRI, que governou ininterruptamente por 71 anos, até ser derrotado em 2000, quando o partido já havia se tornado sinônimo de clientelismo, corrupção e fraude eleitoral.
Gabinete
O gabinete de Henrique Peña Nieto é integrado por políticos independentes ligados à esquerda, além de contar com membros de seu partido, o PRI. Entre os independentes que foram nomeados, dois são próximos à esquerda: Manuel Mondragón, chefe da polícia da capital Cidade do México, e Rosario Robles, ex-prefeita da capital e ex-líder nacional do PRD.
Mondragón foi nomeado para a Secretaria da Segurança, cujo desaparecimento proposto por Peña Nieto ainda deverá ser ratificado pelo Legislativo. Se for aprovado, o político ficará como subsecretário de Planejamento e Proteção na Secretaria de Governo. Rosario Robles ficou com a pasta de Segurança e Desenvolvimento Social.
Como ministro das Relações Exteriores foi escolhido José Antonio Meade, que desempenhava, até agora, a função de secretário da Fazenda de Calderón. Para substituí-lo foi nomeado Luis Videgaray, coordenador da campanha à Presidência de Peña Nieto, enquanto a pasta de Energia será ocupada por Pedro Joaquín, até então, presidente do PRI.
Como procurador-geral, Peña Nieto submeterá à ratificação do Senado - como prevê a lei - a nomeação de Jesús Murillo Karam, considerado um dos homens que impulsionou a carreira política do novo presidente. Nas Forças Armadas, o general Salvador Cienfuegos foi nomeado secretário de Defesa, enquanto o almirante Vidal Soberón será o chefe da Secretaria da Marinha Armada.
Além de Robles, outras duas mulheres integram o gabinete: Claudia Ruiz, secretária de Turismo, e Mercedes Juan López, da Saúde.
A poderosa petroleira estatal Pemex (Petróleo Méxicano), cujas atividades representam 40% das receitas do país, ficará nas mãos de Emilio Lozoya, outro homem próximo a Peña Nieto.