08 de julho de 2026
Ciências

O celular, ?os velhos? e a escola


| Tempo de leitura: 4 min

Criar o novo não é difícil, mas fazê-lo ser aceito, sim! As pessoas são velhas; a cada dia encontro mais velhos. - Velha é a sua mãe! Calma, não precisa ofender.

Existem mais velhos entre jovens do que entre idosos, aqueles com mais de 60 anos. Quanto a faixa etária se diz idoso, mas ao retrógado em mentalidade se diz velho e geralmente é pedante, só ele está certo! Frase típica de velho: ... no meu tempo! Que seu tempo, seu tempo é agora!

Um dia serei idoso, ei de ser! Um sonho: ir ao supermercado, cinema, shopping e encontrar vagas nobres e livres para estacionar. Deve ser bom demais!

O pior velho não é o idoso, é o jovem. O que tem de velho ainda jovem, leva sugerir uma epidemia de velhice na juventude. Deve ser virose, vira daqui, vira dali, só dá velhos ainda moços. Velho é ligado a conceitos antigos e acomodado. Velho diz "isto não vai dar certo" sem ouvir toda explicação do que é o novo ou diferente.

Não foi assim que aprendi; caramba, existem várias formas! Velho não muda de atitude, não quer mudar a forma de pensar e ver o mundo, tem que ser do jeito dele! Velho é carrancudo, chato e mal humorado. Velho leva tudo a sério; reclama de tudo. Paremos de ser velho. Na universidade temos muitos velhos, como em todos segmentos, mas na educação e ciência não deveria ser tão frequente.

Vida multifocal

Na casa todos "assistem" televisão, lê jornais, revistas e conversam! Houvem músicas, atendem celular e comentam com terceiros. O coitado do aluno na sala de aula não pode reproduzir o que se faz em todos os lugares: dar conta de duas ou três coisas ao mesmo tempo! No emprego é assim: celular, e-mail, vídeo, música e digitando no computador; a televisão está ligada. Na academia com exercícios, se conversa com personal, escuta música, televisão ligada, celular tocando ou com torpedo.

A vida é multifocal e nas aulas se quer trancar alunos, isolá-los do mundo, impedir o celular, torpedos, e-mails, internet, músicas e de conversar com o amigo ao lado. Impossível.

Na escola deve-se reproduzir o que se passa na vida. O professor na sala não é mais o centro de tudo: é mais um ator do momento, um facilitador, participante e, se criativo, pode ser a atividade que mais chame atenção dos alunos, mas exclusividade nunca mais. Pode se impedir tudo, até celular, mas a cabeça do aluno vai viajar, sem controle do professor.

Nas aulas, atividades devem ser inquietadoras, desafiantes, ativas, de busca, raciocínio e análise. Conteúdo e informações se tem em qualquer lugar disponível e gratuitos.

Os alunos devem aprender a resgatar o conteúdo e interpretá-lo. Devem aplicar o conhecimento resgatado e analisado, deve questionar o conteúdo; discuti-lo é fundamental use o celular como fonte de conteúdo!

O professor que ficava ditando ou ensinando no quadro ou projeção já era!

O professor e sua postura tem que ser mais interessante que o celular, internet e o amigo do lado. Se o professor for bom, o aluno sabe que o celular, internet e amigo do lado estarão disponíveis em outros momentos, o professor não: então irá priorizar suas orientações!

Reprimir o uso das novas tecnologias e o viço dos novos comportamentos é impossível, inútil e improdutivo.


E as avaliações?

Nas avaliações, trancafiar como um cárcere privado os alunos dentro da sala e aplicar perguntas que exijam memorização: loucura!

Deixe a memória, o arquivamento e a decoreba para computadores, celulares e tablets. Testar memória para quê? Faça perguntas individuais e de raciocínio, exija busca e análise de conteúdo.

Deixem manipular os bancos de dados, livros, bibliotecas, deixe interagir com pessoas, colegas, professores, sites e o que mais for preciso. Imitem a vida. Nas provas, façam os alunos usarem celular, tablets, computadores e internet.

Assim é a vida; imitem-na!

Se um profissional precisar de algo ou estiver em dificuldade, vai buscar, resgatar, analisar e interagir com o mundo para resolver. Ele não vai usar sua memória para isto, ele não vai se isolar, ele vai interagir: ele tem que aprender a se virar.

Se precisar de memória ele vai ligar o computador. Dê ao aluno 24 horas para ele resolver, se alguém ajudar estará aprendendo também, se pediu ajuda está sendo humilde ou esperto: médicos, engenheiros e todos os profissionais fazem assim quando precisam.

Ah! Mas aí as avaliações terão que ser individuais. Claro, cada ser humano tem seu próprio universo! - Mas dá trabalho .... Eu não quero mudar ...Isso não dá certo ... No meu tempo ... Eu não acredito nisto ... Bah!!!

Velhos, velhos e velhos. Bah!

Caros jovens, não sejam velhos!

Alberto Consolaro éâ??professor titular da USP - Bauru. Escreve todas as segundas-feiras no JC. Email: consolaro@uol.com.br