09 de julho de 2026
Política

Purini reage a declarações de Said

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

O ‘fogo amigo’ incendiou a sessão da Câmara Municipal de ontem, em Bauru. O líder do governo na Casa, Renato Purini (PMDB), reagiu às críticas do secretário municipal de Planejamento, Rodrigo Said, dirigidas ao Poder Legislativo, durante a semana passada. O membro do primeiro escalão da administração Rodrigo Agostinho deu entrevistas dizendo ter ‘estranhado’ os apontamentos contrários à aprovação de projeto residencial em área de Zona de Indústria, Comércio e Serviço (Zics).

Said questionou o momento dos questionamentos, já que o processo para viabilização do empreendimento do Grupo Alphaville tramitava há um ano junto ao poder público municipal.

Purini não perdoou no contra-ataque: “Será que ele não assiste às sessões da Câmara? Não lê jornal? Acho que vive em outro mundo”, pontuou o líder.

O vereador lembrou que falou sobre o caso na tribuna da sessão há cerca de 10 meses. “Sou um dos que mais defendem o progresso, a ampliação do perímetro urbano, mas desde que feito da forma correta”.

Renato foi ainda mais longe ao dizer que a aprovação de 82% do prefeito na última eleição não significa um ‘cheque em branco’. “As pessoas têm que tomar cuidado para preservar o prefeito. A votação dele não justifica que subalternos façam aquilo que não devem”, cutucou.

Procurado pela reportagem, o secretário Rodrigo Said não quis se manifestar sobre as críticas. Como anunciou, Rodrigo Agostinho enviou à Câmara Municipal projeto que extingue as Zics da rodovia Bauru-Ipaussu, a fim de legalizar o empreendimento Alphaville. O prefeito alega que o local tem vocação residencial.

 

Tramitando

O cartório imobiliário publicou ontem o edital que, dentro de 15 dias, pode viabilizar o registro do empreendimento do Grupo Alphaville. O governo municipal informa que, caso o projeto enviado à Câmara não seja aprovado nesse intervalo de tempo, suspenderá a tramitação do processo no cartório.

Os 15 dias são o prazo para contestação, etapa natural em um processo de pedido de registro de um empreendimento. Não quer dizer que o loteamento já está registrado.

     O projeto de lei do prefeito tem, ao menos informalmente, o caráter de urgente. Resta uma sessão ordinária para o recesso parlamentar, mas o prefeito pode convocar sessões extraordinárias.

 

13.º garantido aos servidores

Os vereadores aprovaram, por unanimidade, o projeto que autoriza a transposição de R$ 23 milhões do orçamento municipal. A proposta tem como principal objetivo garantir o pagamento da folha, que ficou R$ 16 milhões mais cara do que o previsto. A aprovação viabiliza, por exemplo, o décimo terceiro salário dos servidores municipais.

Marcelo Borges (PSDB) criticou o fato de o projeto ter sido enviado com curto prazo para ser apreciado e lembrou que o remanejo é consequência do inchaço da máquina pública, dos Planos de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) e do aumento de horas extras. “A gente critica, mas nunca criou empecilhos. Tinha que mandar com antecedência para os vereadores analisarem com calma”, pontuou, antes de reclamar de mais um remanejo de orçamento que deu entrada ontem no Legislativo. Desta vez, trata-se da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).

José Roberto Segalla (DEM) lembrou que o aumento de gastos com despesas fixas faz com que sejam reduzidos os investimentos em obras, ainda mais no cenário de desaceleração da economia nacional. “Nós fizemos o alerta. Mas a população apoiou o que o prefeito fez e também não deve reclamar depois”, declarou.