Cairo - O Exército do Egito cercou com tanques e arame farpado o palácio presidencial, ontem, após a madrugada de protestos violentos no país.
Morreram, durante os embates iniciados anteontem, ao menos sete pessoas. Cerca de 350 ficaram feridas.
Aprofundando a crise institucional, dois funcionários ligados à Presidência de Mohamed Mursi renunciaram ontem, levando o número de deserções recentes a nove.
Manifestantes contrários ao governo desafiaram a ordem de deixar a área ao redor do palácio, pedindo que seja suspenso o polêmico decreto por meio do qual Mursi se concede amplos poderes.
Protestos também pedem a suspensão do rascunho da nova Constituição do Egito, fortemente influenciada pela sharia, a lei islâmica.
Mursi, membros do gabinete e líderes militares discutiram, em reunião no palácio, o desenrolar da crise. É o maior embate entre apoiadores e detratores do islamita.
Apesar da continuidade das manifestações, membros da Irmandade Muçulmana - partido ao qual é ligado o presidente - e outros islamitas deixaram a região.
Os embates recentes foram iniciados com a chegada desses militantes aos entornos do palácio, onde eles se encontraram com um grupo grande de manifestantes contrários a Mursi acampados, levando ao conflito.
A oposição ganhou ímpeto após os decretos de 22 de novembro, que colocaram os atos de Mursi acima de contestações judiciais e motivaram a renúncia de membros de um painel de assessores.
Em discurso ontem à noite, o presidente lamentou o evento que “ocorreu por diferenças políticas que deveriam ser resolvidas por diálogo.”