Uma gerente do banco Cruzeiro do Sul, em Bauru, foi acusada de desviar mais de R$ 200 mil de um aposentado de 71 anos, que é correntista da agência. A filha do idoso, uma coordenadora de vendas de 37 anos, descobriu a fraude em setembro e uma auditoria realizada pela instituição teria confirmado o desvio nesta semana.
Procurado, o banco não confirmou a informação, mas revelou que uma equipe da Capital foi enviada a Bauru, ontem, especialmente para analisar o caso. A instituição financeira também não informou se a gerente foi desligada da agência.
A filha do aposentado conta que o pai guardou seu dinheiro por 14 anos na agência bancária de Bauru. No entanto, em setembro deste ano, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do banco Cruzeiro do Sul por problemas de contabilidade e descumprimento de normas do sistema financeiro.
Com isso, os correntistas que guardavam valores elevados teriam direito de resgatar até R$ 70 mil de suas contas, limitado ao saldo existente. No caso do aposentado, a quantia restante poderia ser ressarcida ao longo do processo de liquidação.
Com esta orientação, a filha do idoso solicitou, ainda em setembro, o pagamento ao banco em São Paulo, que informou que o montante aplicado não ultrapassava os R$ 3 mil. “Fiquei chocada, mas reclamei e eles enviaram um auditor para ver o que estava acontecendo”, relembra.
O relatório de análise foi concluído no início desta semana e teria detectado que a gerente responsável pela conta do aposentado realizou várias transferências no período de janeiro a julho deste ano para duas contas em seu nome, uma física e outra jurídica. Segundo a vítima, ao todo, a funcionária desviou R$ 226.200,00.
Extratos forjados
A coordenadora de vendas conta que nunca desconfiou do golpe, já que, nos extratos que recebia em casa, sempre constavam os valores aplicados. “Só depois é que descobrimos que estes extratos estavam sendo forjados por ela”, lamenta.
A filha do correntista revela que mantinha um relacionamento estreito com a gerente, que sempre enviava presentes para a família. “Ela me deu um celular e chegou a levar comida na casa do meu pai. Vivia me mandando mensagens religiosas. Era até uma coisa meio forçada”, pondera.
Com esta relação de confiança e proximidade, a vítima nunca teria solicitado um extrato que não fosse pelas mãos da gerente. “Nunca pegamos um extrato no caixa eletrônico, por exemplo. Era ela quem emitia e nos enviava sempre que a gente precisava. Depois fomos entender que toda essa atenção era uma tática dela”, observa.
Segundo a coordenadora de vendas, seu pai, que está doente, foi informado aos poucos sobre a perda dos R$ 226 mil. “Fui contando durante uma semana e, quando ele entendeu, disse: ‘nossa, filha, ela enganou a gente mesmo. É difícil de acreditar’. E é realmente triste pensar que uma pessoa é capaz de fazer uma coisa dessas”, completa a mulher.
Desde então, a família não manteve mais contato com a gerente, que, até o momento, deve responder a inquérito policial por furto qualificado. Questionada, a filha da vítima não adiantou se ingressará com ação contra a gerente ou o banco para reaver os valores desviados. A gerente não foi encontrada para comentar o assunto.