08 de julho de 2026
Gastronomia

Besuntando a ceia

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 5 min

Em 2013, o número 6 reinará. Meu número da sorte. Nasci num dia 6, do mês 6, tendo 6 no ano e nesse horário. Portanto vou pular 6 e não 7 ondas do mar, circular 6 vezes pela casa com minha malinha vermelha (novas viagens ainda irão pintar por aqui), comer 6 grãos de romã na passagem do ano e preparar um belo peru recheado com frutas secas para garantir boa sorte. Tâmaras, damascos, nozes, castanha do Pará, uvas passas brancas e avelãs. 6 ao todo.

Recheios de aves indicam sempre boas novas. Pelo menos uma das aves da ceia deve estar recheada. O significado é o de encontrar "tesouros", ou seja, bons presságios. Tanta comida remete às Saturnálias, que eram festas pagãs. Parte do cardápio vem dos países que estão no inverno nesta época do ano.

Como aqui no Brasil estamos em pleno verão a dica é utilizar azeite no preparo. Gordura saudável, tempero da longevidade. A promoção do azeite à categoria de aliado da saúde cardiovascular teve início em meados da década de 80, quando suas virtudes foram divulgadas pela Universidade de Harvard. Cientistas concluíram que os povos do Mediterrâneo registravam quatro vezes menos ataques cardíacos do que os finlandeses e os americanos. Constataram, impressionados, que na ilha de Creta, na Grécia, nenhum dos 665 homens observados apresentou problemas cardíacos durante o estudo.


Mil e uma utilidades

Conhecido como um dos mais antigos temperos do mundo, o azeite já serviu para quase tudo. Além de queimar nas lamparinas de argila durante séculos, besuntou e protegeu do frio os corpos dos habitantes da Mesopotânia. Cerca de 400 a.C, virou cosmético: gregas e romanas usavam-no como alisante de cabelo e filtro solar.

Tantas qualidades garantiram ao azeite um lugar no Olimpo. Diz-se que a oliveira surgiu de uma briga por terra entre a deusa grega
Palas Atena (da Sabedoria) e Possêidon. Ele criou o mar e ela, que fez brotar a oliveira, ganhou a parada na opinião do todo-poderoso Zeus.


A árvore sagrada do Alcorão

Considerada árvore sagrada pelo Alcorão, a oliveira faz muito sucesso na Bíblica (os reis hebreus eram ungidos pelo azeite). Presa no bico de uma pomba, provou-se forte para aguentar frio intenso ou tormentas sobrevivendo ao dilúvio, tornando-se presságio de dias melhores.

Como tenho tantos números 6 rodeando minha vida e Eli no nome (Eli, em hebraico é Deus!), não vou deixar de forma alguma de providenciar minhas latinhas de azeite extra-virgem nesse final de ano em que a paz, a saúde, a esperança, a prosperidade e alegria irão, com certeza, reinar.

Vamos nessa?

Arroz com amêndoas

Ingredientes:

4 xícaras de arroz lavado e escorrido

200 g de amêndoas em lâminas

Manteiga o suficiente

Alho picado a gosto

Água para o cozimento

1 copo de champanhe

Uvas-passas brancas a gosto

2 colheres (sopa) de óleo

Azeite de oliva (opcional)

Preparo: Aqueça o óleo (se quiser coloque também o azeite) e doure a cebola e o alho. Acrescente o arroz, refogue, coloque o sal e a água para cozinhar.
Quando estiver seco, despeje o champanhe. Deixe secar mais um pouco, antes de colocar em uma travessa e decorar com as uvas-passas e as amêndoas laminadas.

*No caso de amêndoas com casca: coloque água fervente sobre elas por 10 minutos para facilitar a retirada das cascas. Corte em lâminas, refogando-as depois em manteiga (cuidado para não queimar).


Bacalhau à Mia

Ingredientes:

2 kg de bacalhau do porto dessalgado previamente

1 ½ kg de batatas

1 ½ kg de cebolas cortadas em rodelas médias

2 colheres de sopa de vinagre de vinho brabco

750 ml a um litro de AZEITE DE OLIVA

4 ovos cozidos duros, cortados em rodelas

100 g de azeitonas pretas miúdas, portuguesas

Abundante salsinha picada, para cobrir

Sal e pimenta-do-reino moída na hora, a gosto

Preparo: Depois de dessalgar o bacalhau em água por pelo menos 24 horas, cozinhe-o em água já fervente, por uns dez minutos aproximadamente, cuidando para que não fique cozido demais. Escorra-o e retire cuidadosamente as espinhas maiores. Reserve.
Cozinhe as batatas em água, com as cascas, sem deixá-las muito cozidas. Escorra-as, pele-as e corte-as em rodelas grossas. Reserve. Em uma panela, cozinhe o alho e as cebolas no óleo, até ficarem transparentes. Tempere com sal e pimenta. Desligue o fogo e misture o vinagre. Reserve.


Monte: No fundo de um prato refratário, disponha um pouco de molho de cebolas. Em cima coloque o bacalhau, depois as batatas em rodelas, os ovos e as azeitonas. Cubra com o molho que sobrou e polvilhe com bastante salsinha. Leve ao forno.


Tigelinha de bacalhau

Ingredientes:

600 g a 1 kg de bacalhau dessalgado desfiado


(No Pão de Açúcar há várias opções da marca Riberalves)

2 colheres de sopa de manteiga

AZEITE DE OLIVA a gosto

1 cebola média picada

1 cenoura média ralada

2 litros de leite

Purê de batata (6 batatas pequenas, mais ou menos, cozidas, espremidas, passadas pelo espremedor e transformadas em purê)

Queijo parmesão ralado para gratinar

Noz-moscada para dar gosto ao creme

Sal a gosto


Preparo: Aqueça a manteiga e o azeite em uma panela e doure a cebola e a cenoura. Incorpore o bacalhau já dessalgado e desfiado. Misture bem e depois adicione o leite, a noz-moscada e o sal (se for necessário). Deixe reduzir e coloque o purê de batata, suficiente para a mistura engrossar. Após uns 6 minutos em fogo brando e mexendo seguidamente, passe o bacalhau para travessa refratária (ou várias individuais), polvilhe com o parmesão ralado e leve para gratinar.