08 de julho de 2026
Bairros

Batalha baixa e afeta mais de 50 mil

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 5 min

Mais de 50 mil moradores de sete bairros da região oeste e noroeste de Bauru estão sofrendo com a falta de água desde o último final de semana. Com a escassez de chuvas e as altas temperaturas, um ‘boom’ no consumo fez com que o nível normal do rio Batalha, que atinge 2,60 metros e abastece 35% do município, baixasse quase 30 centímetros em uma semana - sendo 8 centímetros somente na noite de anteontem.

A redução combinada ao alto consumo resultou em uma espécie de ‘racionamento’ por parte do Departamento de Água e Esgoto (DAE), que afirma estar trabalhando com sua capacidade total, mas em esquema de manobras de reservatórios para suprir as necessidades nos bairros.

“A captação de água do Batalha e o funcionamento dos poços estão em plenitude, o problema é que o consumo aumentou muito e não temos como aumentar a produção de imediato. Para que toda a população atendida pela ETA (Estação de Tratamento de Água)  receba água em uma hora do dia ou da noite, há a necessidade de manobra de reservatório”, explica o diretor da Divisão de Produção e Reservação de Água do DAE, Igor Fournier. “Não é racionamento, é uma manobra técnica para vencer a topografia do bairro”, contesta.

Entretanto, a situação se torna ainda mais preocupante diante do quadro apresentado por ele mesmo. “Se a estiagem persistir e o nível do rio chegar a 2 metros - considerado crítico -, uma das três bombas que realizam a captação de água será desligada”, alerta o diretor do DAE sobre uma possível redução na produção.

De acordo com Fournier, o auge do problema aconteceu na noite de anteontem, quando o nível do rio, que já apresentava baixa com 2,40 metros, reduziu mais 8 centímetros. A redução representa o dobro dos números registrados nos seis dias anteriores, quando o índice não ultrapassava 4 centímetros.

Com essa redução, a dificuldade na captação de água pelas bombas aumenta e os reservatórios demoram mais para encher e redistribuir a água entre os bairros.

Além do calor provocado pela proximidade do verão, um dos fatores que poderiam ter influenciado no ‘boom’ do consumo de água pela cidade, conforme Igor, foi o esquema de funcionamento especial do comércio central.

“O Centro só depende do Batalha e geralmente apresenta baixo consumo, mas com os horários prolongados (das lojas), o consumo aumentou e acabou somado à demanda dos bairros residenciais”, relaciona.

 

E a chuva?

Na tarde de ontem, a chuva trouxe alívio para a população que sofria com o calor intenso na cidade, entretanto, a situação permanecia a mesma em relação ao nível do rio Batalha.

“Não depende de chuva em Bauru, mas na cabeceira do rio, que é em Agudos”, ressalta Fournier.

Os bairros atendidos pela captação da água do Batalha que sofreram diretamente com o desabastecimento foram Leão XIII, Santa Cândida, Val de Palmas, Vila Dutra, Parque Real, Alto Paraíso, Parque Viaduto, Vila Industrial  e Vila Falcão, que totalizam mais de 50 mil pessoas.

Outras regiões, como no Jardim Terra Branca, Vila São Francisco, Vila Independência, Vila Pacífico e Vila Souto também podem ter sido afetadas pela situação.

 

S.O.S. caminhão-pipa

O DAE informa que disponibiliza caminhões-pipa à população afetada pela falta de água. Eles podem ser acionados pelo telefone 0800-771-0195. Os pedidos, entretanto, seguem ordem de prioridade. Casos de desabastecimento que envolvam escolas públicas, creches e hospitais, por exemplo, têm prioridade.

 

Mais uma vez, DAE pede economia

Por conta da redução do nível do rio Batalha, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) está monitorando o rio 24 horas por dia e pedindo economia à população.

“Realizamos muitas melhorias e seis novos poços foram perfurados na cidade desde o último verão, mas a produção ainda não atingiu seu nível ideal. Por isso, é preciso que a população colabore evitando o desperdício e também invista em caixas d’água que possuam dimensionamento proporcional ao número de habitantes para minimizar possíveis interrupções”, frisa o diretor da Divisão de Produção e Reservação de Água do DAE, Igor Fournier.

Atualmente, o DAE trabalha com uma produção de até 530 litros de água por segundo. Somente a ETA produz uma média de 1 milhão de metros cúbicos de água por mês. A captação é realizada por três bombas, que abastecem 35% do município.

A manipulação do horário em que as manobras são realizadas, segundo Igor, transcenderia o poder da autarquia. “O reservatório só ganha nível quando há baixo consumo, então, não depende do DAE”, responde.

Questionado sobre a intensificação da situação frente à chegada do verão, Fournier afirma que, a expectativa da autarquia, apesar do problema enfrentado, é de que a captação seja regularizada com as chuvas. “A incidência de chuva no verão aumenta, então a tendência é regular o consumo, já que nos períodos chuvosos a população também costuma utilizar menos água”, reforça.

 

Segue o seco

Para enfrentar a falta de água que assolava a região do bairro Santa Cândida desde sábado à tarde, o aposentado Osvaldo do Carmo, 67 anos, conta ter feito algumas reservas na caixa d’água e em baldes, mas a medida não durou até domingo. “Estamos sem banho, sem nada. Só comprando água para beber e cozinhar. É uma tristeza e uma vergonha essa situação”, lamenta o aposentado, que mora com a esposa e mais quatro netos na casa.

A mesma dificuldade era enfrentada pelo jardineiro Sebastião de Castro, 60 anos, que relata ter ligado diversas vezes ao DAE para relatar o problema. “Veio um pouquinho de água às 5h da manhã, mas não deu ‘pra’ nada. Eles falaram que rompeu uma adutora. É inacreditável que uma cidade do tamanho de Bauru tenha um problema desses”, comenta o jardineiro, mostrando a torneira de água da rua seca.

Ainda no Santa Cândida, a pensionista Audivina Silva reclamava ontem da situação junto aos seus vizinhos na porta de casa. “Estou com uma pilha imensa de roupas para lavar e não tenho como fazer o almoço sem a água.”