10 de julho de 2026
Internacional

Chávez passa por nova cirurgia contra câncer em Cuba

Por Mariana Párraga | Reuters
| Tempo de leitura: 2 min

A Venezuela permanecia nesta terça-feira à espera do resultado de uma cirurgia de urgência à qual estava sendo submetido em Cuba o presidente venezuelano, Hugo Chávez, devido à reincidência de um câncer, que colocou em risco sua permanência no governo e paralisou a política no país.

O mandatário de 58 anos surpreendeu o mundo no fim de semana ao admitir a reincidência do câncer e designou o vice-presidente e chanceler, Nicolás Maduro, como seu sucessor político caso ele não consiga assumir a presidência, para a qual foi reeleito para mais seis anos em outubro.

"A equipe médica que atende o comandante Hugo Chávez (...) está desenvolvendo o processo operatório programado para o dia de hoje de acordo ao protocolo estabelecido", disse o ministro da Informação, Ernesto Villegas, lendo um comunicado em cadeia de rádio e televisão.

A versão oficial confirmou as declarações dadas horas antes pelo presidente equatoriano, Rafael Correa, que se referiu à cirurgia de Chávez como "muito delicada".

Villegas indicou que o governo continuará informando nas próximas horas sobre o avanço do procedimento cirúrgico e afirmou que Chávez lidou com assuntos estratégicos de Estado antes da cirurgia.

Os venezuelanos acordaram nesta terça-feira em meio a um clima de expectativa sobre a condição de seu presidente, quem apareceu pela última vez na televisão antes de ir a Cuba na madrugada de segunda-feira, após um evento com o alto comando militar no qual voltou a pedir pela unidade de seus seguidores.

"Que tenhamos notícias do comandante logo, que logo saia da operação e se comunique com seu povo", disse o padre Luis Molina em uma das várias missas e concentrações de apoio convocadas no país por seus seguidores.

Em Havana, o governo dos irmãos Castro não convocou atos públicos para apoiá-lo como em outras ocasiões e a informação pública sobre as implicações de sua cirurgia foi limitada, contribuindo para o silêncio que rodeou o estado de saúde de Chávez desde o início de sua doença.

Adorado com fervor por seus seguidores e odiado por seus detratores, Chávez dividiu o país sul-americano e sua clara influência política se estendeu para toda a região.

Além de Correa, outros presidentes latino-americanos, como a argentina Cristina Kirchner, o boliviano Evo Morales, o nicaraguense Daniel Ortega, o colombiano Juan Manuel Santos e o chileno Sebastián Piñera, enviaram desejos de recuperação.

A Assembleia Nacional concedeu permissão de viagem a Chávez sem data de retorno. Chávez teria que estar na Venezuela em 10 de janeiro para assumir o seu novo mandato, conquistado após vencer o pleito com ampla vantagem sobre uma coalizão opositora.

O presidente passou duas vezes pelo centro cirúrgico em Cuba em junho de 2011, e na segunda intervenção foi retirado um tumor do tamanho de uma bola de beisebol. Depois, se submeteu à quimioterapia na ilha.

Em fevereiro, ele anunciou a reincidência da doença, o que o levou de volta à mesa de operação e o obrigou a fazer pelo menos cinco sessões de radioterapia, também em Havana.