09 de julho de 2026
Regional

PF prende em Marília suspeito de fraudar vestibular de escolas

Lilian Grasiela com Jacyara Pianes
| Tempo de leitura: 2 min

Ontem, um morador de Marília (100 quilômetros de Bauru) foi preso durante a “Operação Calouro” da Polícia Federal (PF), que visa desarticular quadrilha especializada em fraudar 54 vestibulares para 38 cursos de medicina em todo o País. Ele agiria como uma espécie de “agenciador” de interessados em participar do esquema. Em alguns casos, o preço pela garantia de uma vaga no ensino superior chegava a R$ 80 mil.

As investigações foram realizadas pela Superintendência Regional da PF no Espírito Santo. No total, foram expedidos 70 mandados de prisão e 73 mandados de busca, que foram cumpridos por mais de 290 policiais federais nos estados de Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Tocantins, Rio Grande do Sul, Acre, Mato Grosso e Piauí e no Distrito Federal.

Segundo apurado pela PF durante um ano e seis meses de investigação, os vestibulares poderiam ser burlados de duas formas. Na primeira ‘opção’, que custava entre R$ 45 mil e R$ 80 mil, um integrante da organização criminosa fazia a prova do vestibular no lugar dos candidatos verdadeiros utilizando documentos falsos.

O candidato poderia ainda optar por receber as respostas das questões – por meio de gabaritos codificados – através de equipamentos eletrônicos conhecidos como pontos. Nesse caso, o ‘preço’ cobrado era um pouco menor – entre R$ 25 mil e R$ 40 mil.

De acordo com a PF, o homem preso em Marília agiria como um intermediário entre o grupo criminoso e vestibulandos interessados em participar da fraude. Ele foi levado à Cadeia de Garça e poderá responder por estelionato, falsificação de documento e formação de quadrilha. As investigações prosseguem para tentar identificar os alunos beneficiados pelo esquema e a eventual participação de universidades nas fraudes.

O delegado Leonardo Damasceno, chefe do Núcleo de Inteligência Policial do Espírito Santo, revela que um dos grupos identificados atuava há mais de 20 anos no ‘ramo’ das fraudes de vestibulares. Segundo a PF, os responsáveis por fazer provas no lugar dos candidatos inscritos ou responder às questões rapidamente para enviá-las são conhecidos como “pilotos”. Essa ‘função’ geralmente é ocupada por alunos de medicina de instituições federais, que ganham por gabarito feito cerca de R$ 10 mil ou R$ 5 mil por candidato aprovado.

Os “corretores” “vendem” a oferta de fraudes a vestibulandos.