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Aceituno Jr. |
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Moradores do bairro Bela Vista ficaram sem água ontem devido a um suposto erro técnico em uma manobra. |
Além dos problemas de desabastecimento de água que parte da cidade já enfrenta devido ao baixo nível do rio Batalha e as interrupções causadas pelas operações para manutenção da rede elétrica, mais de 12 mil moradores da região alta do bairro Bela Vista ficaram sem água ontem devido a um suposto erro técnico em uma manobra.
A ação, combinada ao desgaste da tubulação antiga nas ruas, pode ter sido a causa do rompimento de uma adutora que afetou o bairro. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) irá apurar se houve negligência na realização do serviço.
A tubulação da adutora rompida fica na quadra 3 da rua Primeiro de Maio, em uma região que leva o nome de Jardim Maravilha.
O vazamento foi registrado por moradores no final da tarde de anteontem, momento em que chovia na cidade. A chuva, inclusive, foi um dos fatores que impediram que o conserto fosse realizado no mesmo dia, conforme alega o diretor da Divisão Técnica do Departamento de Água e Esgoto (DAE), Manuelino Câmara Filho, que coordenava os trabalhos de reparo na rede na manhã de ontem.
Um fato curioso é que a tubulação quebrada pertence a uma das adutoras abastecidas pelo rio Batalha, que por estar com o nível abaixo do normal, necessita de manobras de distribuição para que a água chegue a todas as regiões da cidade.
Conforme o JC divulgou na edição de ontem, desde o último final de semana mais de 50 mil pessoas de diversos bairros das regiões oeste e noroeste ficaram sem água justamente por conta das manobras.
Além disso, o DAE justifica que o rompimento na rede em questão teria sido ocasionado, principalmente, por conta da tubulação antiga - com aproximadamente 40 anos de uso.
Erro?
Questionado sobre a ocorrência de outros problemas na mesma adutora, entretanto, Manuelino afirmou que a tubulação daquele local nunca teria apresentado outros problemas.
Conforme o JC apurou, um eventual erro técnico no momento de uma manobra teria força e pressão suficientes para romper a tubulação, que possui 12 polegadas e é constituída de fibrocimento. Para que a água corra tranquilamente e não comprometa a rede, é preciso que o registro seja aberto devagar e as descargas - espécie de recuo da adutora - também, para que ocorra a eliminação do ar e da água suja presentes na rede.
Apesar de “culpar” a tubulação antiga pelo rompimento, o diretor da Divisão Técnica do DAE, no entanto, não descarta a apuração de uma suposta negligência.
“Não dá para afirmar que foi erro técnico, temos que saber quem fez a manobra, quem abriu o registro e quem abriu a descarga. Mas iremos apurar, com certeza, se houve negligência”, aponta.
“Eu não sei a manobra que foi feita. Minha prioridade é atacar o vazamento. Depois verificaremos se houve procedimento incorreto ou não”, completa Manuelino.
Cratera
Os agentes do DAE chegaram ao local do vazamento por volta das 7h15 de ontem. A previsão era de que o serviço se estendesse até as 14h. Para o conserto da adutora foi necessário o uso de uma retroescavadeira, além de vários trabalhadores. A cratera aberta no asfalto resultou na interdição do quarteirão durante toda a manhã.
Segundo Manuelino Filho, ao menos 12 metros de rede seriam trocados. A região alta do Bela Vista, que possui cerca de 12 mil habitantes, foi a mais afetada pelo rompimento porque o reservatório, que também é abastecido por outros dois poços, o Bíblia e o Consolação - que juntos representariam 60% da produção -, não conseguia acumular água o suficiente para abastecer as partes mais baixas e alta ao mesmo tempo.