Considerado um dos mais importantes pólos regionais do principal Estado do País, Bauru, por mais um ano, integra a lista das 100 localidades brasileiras com maior Produto Interno Bruto (PIB), segundo divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados são referentes ao ano de 2010 e colocam o município na 74ª colocação, à frente de outras 5.490 cidades, entre elas Mauá (76º), Limeira (85º) e Americana (86º).
Mas, ainda que em valores absolutos o PIB tenha aumentado 9,2% e alcançado R$ 7,424 bilhões, a cidade caiu seis posições no ranking do IBGE. Em 2009, o aumento havia chegado a 13,2%, com geração de R$ 6,795 bilhões que colocaram o município em 68º lugar da lista.
O PIB representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos em uma região, num determinado período. Trata-se de um dos indicadores mais utilizados na macroeconomia para mensurar a atividade econômica, que inclui o desempenho de setores como agricultura, indústria, serviços e comércio. Considerando somente o Estado de São Paulo, Bauru figura no 22ª lugar do ranking.
Como era de se esperar, o setor de serviços foi o principal destaque da economia do município, cujo PIB específico alcançou os R$ 5,216 bilhões e ocupou a 54ª posição brasileira em 2010. Neste caso, a cidade está melhor classificada não apenas em relação às localidades já citadas, mas também a municípios paulistas de porte semelhante ou maior, como Diadema (57º), Mogi das Cruzes (58º), São Caetano do Sul (63º) e Franca (85º).
De fato, conforme avalia o economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Reinaldo Cafeo, o segmento de serviços foi o grande responsável pelo resultado obtido por Bauru - nos bons e maus aspectos. No sentido positivo, a cidade se manteve entre as 100 melhor ranqueadas por conta das riquezas produzidas notadamente pelos ramos financeiro, atacadista, de recuperação de crédito, construção civil, saúde e educação.
“São atividades que nos permitiram escapar dos reflexos mais intensos da crise financeira (desencadeada no final de 2008). Por outro lado, por depender do setor terciário, a cidade não tem uma economia forte o suficiente para desbancar outras cidades interioranas mais industrializadas”, pondera, citando como exemplos os municípios de Sorocaba, Ribeirão Preto, Campinas e Piracicaba, que ficaram à frente de Bauru no ranking.
Indústria
Considerando a inflação que chegou a cerca de 6%, o crescimento do PIB de Bauru não foi tão significativo em 2010. Mas a realidade vivida atualmente pela cidade - com o lançamento de grandes empreendimentos comerciais - demonstra que os resultados deverão ser bem mais animadores em 2012.
As políticas públicas também devem incentivar a produção de riquezas por parte da indústria bauruense, que não aparece, em 2010, no ranking das “100 mais” específico do setor. Uma medida a ser tomada, conforme destaca o secretário municipal do Desenvolvimento Econômico, Paulo Ferrari, é reapresentar na Câmara Municipal, em 2013, o projeto do Parque Tecnológico, além da criação do Distrito Industrial 4.
Administração pública
Além do setor de serviços, Bauru aparece em 81º lugar no ranking específico de administração pública, que envolve os serviços gratuitos de saúde e educação. Neste setor, o Produto Interno Bruto (PIB) de 2010 alcançou o montante de R$ 728 milhões, com crescimento de apenas 2% em relação ao resultado de 2009.
Na avaliação do secretário municipal do Desenvolvimento Econômico, Paulo Ferrari, a melhora do desempenho da indústria geraria maior arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS). Outra estratégia é implantar a nota fiscal eletrônica para a prestação de serviços municipais, o que depende da informatização dos prédios da prefeitura. “Nos municípios em que a nota fiscal eletrônica foi implantada, a arrecadação aumentou. É um projeto para o ano que vem”, frisa.
Agropecuária não aparece entre os 100
Assim como a indústria, o Produto Interno Bruto (PIB) específico do setor agropecuário não aparece entre os 100 melhores ranqueados da lista divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas, para o presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde, o resultado não significa, necessariamente, que o desempenho do segmento tenha sido ruim em 2010.
“O PIB depende basicamente do tipo de agricultura praticada. Quando o produto é bem remunerado no mercado externo, acaba influenciando na geração de riquezas. Ou seja, o PIB não tem relação direta com a eficiência de políticas agrícolas”, pontua Lima Verde, que também é vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp).
Cidades dos estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Bahia aparecem entre os maiores PIBs agropecuários brasileiros de 2010. Em São Paulo, entre as cem primeiras, figuram apenas Itapetininga (7º), Mogi Guaçu (63º), Barretos (80º), Itapeva (82º), São Miguel Arcanjo (98º).
“Em Bauru, trabalhamos com produtos que não tem peso sobre o PIB. Além disso, a produção de cana de açúcar, a pecuária de corte e o café tiveram péssimo desempenho em 2010. A única que se manteve estável foi a laranja. Então, não é surpresa a cidade não estar não estar no ranking”, comenta.