08 de julho de 2026
Nacional

Mortes de jovens aumentaram 14%

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - A cada mil adolescentes do País, três morrem antes de completar 19 anos. A informação é do Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) referente a 2010, apresentado na manhã de ontem pelo Laboratório de Análise da Violência (LAV) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A taxa - atualmente em 2,98 jovens para cada 100 mil - teve um crescimento de 14% em relação a 2009 e é a maior desde o início da pesquisa, há cinco anos.

O índice permite estimar que, caso não haja alterações no cenário atual, mais de 36.700 jovens entre 12 e 18 anos serão mortos por arma de fogo até 2016. O risco é cerca de três vezes maior para adolescentes do sexo masculino, negros e moradores das periferias. De acordo com o levantamento, 45% das mortes de adolescentes no Brasil são causadas por homicídios. Na população geral, os homicídios correspondem a 5,1% das mortes.

A pesquisa foi realizada em mais de 280 municípios com mais de 100 mil habitantes. O estudo é uma parceria do Laboratório com a Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República, pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) e pelo Observatório de Favelas, uma organização não governamental do Rio de Janeiro. Os pesquisadores analisaram dados do Ministério da Saúde e do IBGE para chegar ao índice, que demonstra o risco dos adolescentes em relação aos homicídios.

O Nordeste foi a região que registrou maior crescimento na taxa. Entre 2005, quando foi realizada a primeira pesquisa, e 2010, o índice cresceu cerca de 60% na região. Entre as dez cidades com maior risco de homicídios entre os jovens, cinco estão na região e quatro são na Bahia. Itabuna, no sul do Estado, é a cidade com maior IHA do País, com 10,59 jovens com risco de homicídios para cada mil adolescentes.

 

Negros são principais vítimas

Rio - Os adolescentes negros do sexo masculino são as principais vítimas de homicídios no País. A taxa de negros vítimas de homicídio é três vezes superior aos de brancos.

Os dados foram revelados ontem na pesquisa que avalia o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), elaborado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, o Laboratório de Análise da Violência (UERJ), o Unicef e o Observatório de Favelas. O trabalho levou em consideração dados de 2009 e 2010.

De acordo com critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do IHA, a categoria negro equivale à soma das categorias de cor/raça preto e pardo.

Alguns fatores, como gênero e raça, aumentam a possibilidade de um jovem ser morto. Em 2010, a chance de um adolescente do sexo masculino ser assassinado era 11,5 vezes maior que a de jovens do sexo feminino.

Se o indivíduo for preto ou pardo, a possibilidade aumenta quase três vezes em relação ao branco.