10 de julho de 2026
Bairros

Pastor brasileiro abre portas de igreja após massacre nos EUA

Por BBC Brasil | ABr
| Tempo de leitura: 3 min

 Do lado de fora da casa onde vive, em Bethel, Connecticut (EUA), o pastor evangélico Walcir da Silva podia ver na noite de ontem (14) o estacionamento "quase completamente lotado" da igreja onde trabalha. Mas não por causa do concerto de Natal marcado para as 7h daquela noite, evento cancelado mais cedo. Em qualquer outro momento, o natural seria que os cerca de 500 lugares disponíveis estivessem praticamente vazios.


"Em uma hora dessas, o pessoal encontra nas igrejas um verdadeiro refúgio", disse o pastor. Morando há cerca de um ano e meio na comunidade, distante apenas pouco mais de dez quilômetros da escola de Sandy Hook, Newtown, o pastor se diz "impactado com a reação das pessoas à procura de conforto religioso". O efeito da morte de 27 pessoas, entre elas 20 crianças, no vilarejo de Newtown, foi comparável à de um desastre natural de escala muito maior, acrescentou.


Walcir destacou que esse impacto na comunidade "é uma crise que vai além do social, não é uma crise comum", disse ele à BBC Brasil. "É um ato de violência que expõe a fragilidade da sociedade em que vivemos. Uma sociedade em que alguém, de um instante a outro, pode fazer algo assim e causar tanta destruição."


Depois do massacre, muitas igrejas nas proximidades de Newtown anunciaram vigília de 24 horas para pedir pelas vítimas. O musical que seria apresentado na Igreja Comunitária de Walnut Hill, onde o pastor Walcir se encarrega do ministério da diversidade, fazendo sermões em português, também foi desmarcado.

 

Rio De Janeiro

A organização não governamental (ONG) Rio de Paz fez uma homenagem hoje (15) às vítimas do massacre na escola Sandy Hook, em Connecticut, nos Estados Unidos, onde 26 pessoas foram mortas por um atirador, que invadiu as salas de aula e matou crianças com idades entre 5 e 10 anos, além da própria mãe. Em seguida, suicidou-se.


A ONG já tinha programado para hoje (15) – terceiro sábado de dezembro – quando se comemora o Dia em Memória das Vítimas de Homicídios no Brasil, uma manifestação pedindo o fim da violência no país, na areia da Praia de Copacabana, zona sul do Rio. Mas, devido ao massacre na escola nos Estados Unidos, a Rio de Paz prestou homenagem às vítimas da tragédia na escola, fincando 26 cruzes na areia e no final foi hasteada a bandeira dos Estados Unidos da América.


"[O objetivo foi] expressar solidariedade às famílias e chamar atenção às autoridade públicas dos dois países sobre o número de vítimas de tragédias com armas de fogo. Somente no Brasil, 500 mil pessoas foram mortas vítimas de armas de fogo nos últimos dez anos", alertou o presidente da organização Rio de Paz, Antônio Carlos Silva.


Ele disse que esses números das vítimas por armas de fogo no país são do Instituto Sangari, que desde 1980, trabalha com estatística sobre morta violenta por arma de fogo com as pessoas que dão entrada nos hospitais.


O presidente da ONG Rio de Paz disse que já pediu uma audiência com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e que está esperando apenas espaço na agenda do ministro.


Ele disse que fará ao ministro cinco reivindicações básicas para reduzir a violência no país: reforma e valorização do Judiciário; reforma do sistema prisional do Brasil; programas que levem à redução da violência em todos os estados do país; além de um estudo sobre mortes violentas; e, por fim, políticas públicas para comunidades carentes. Segundo Antonio Carlos, esses seriam os principais pontos que poderiam levar à redução da violência no país nos próximos anos.